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Após demissão de aliados, PRB oficializa ruptura e Doria perde força na Câmara

GUILHERME SETO SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Um dos partidos mais numerosos da base do prefeito João Doria (PSDB), o PRB decidiu romper com o governo e seus vereadores não precisarão mais apoiar os projetos do Executivo em votações na Câmara Municipal. A

Da Redação

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Escrito por Da Redação
Publicado em 04.12.2017, 13:50:00 Editado em 04.12.2017, 13:50:11
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GUILHERME SETO

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SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Um dos partidos mais numerosos da base do prefeito João Doria (PSDB), o PRB decidiu romper com o governo e seus vereadores não precisarão mais apoiar os projetos do Executivo em votações na Câmara Municipal.

A decisão do PRB aconteceu após Doria decidir exonerar funcionários da prefeitura que haviam sido indicados pelo vereador Souza Santos (PRB), que, na leitura da prefeitura, vinha dificultando a aprovação da privatização do Pacaembu. A retaliação não foi vista com bons olhos pelas lideranças do partido, que então decidiram pela ruptura.

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"É muito simples: a forma como o governo tratou o PRB na condução do assunto foi deselegante, desrespeitosa e radical. Na política, não se faz dessa forma. Na calada da noite, tomamos conhecimento via imprensa que o governo faria exonerações ligadas ao vereador Souza Santos, o que atingiu o PRB como um todo", diz Aildo Rodrigues, presidente municipal do PRB.

Com quatro vereadores, o PRB está atrás apenas de PSDB (11), PT (9) e DEM (5) em termos de representatividade na Câmara. Com a saída do PRB, Doria passaria a ter 40 parlamentares oficialmente em sua base. Para conseguir a aprovação de um projeto de lei, ele precisa de 28 votos. O último projeto que contava com interesses do Executivo, que liberava empréstimos de até R$ 1,4 bilhão e a cobrança de impostos sobre serviços de streaming, como o Netflix, foi aprovado com 31 votos.

Rodrigues afirma que a prefeitura chegou a oferecer a devolução dos cargos, mas que o PRB recusou a proposta.

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"Na política, não se conduz de forma truculenta, radical. Tivemos conversa longa com o Bruno Covas [vice-prefeito e atual encarregado das relações com os vereadores] e colocamos a nossa insatisfação pela forma como fomos tratados. Ao final do dia, fomos informados de que o governo revogaria as exonerações. Mas o estrago foi feito e decidimos pela saída."

Procurado pela reportagem, Covas não retornou até a publicação deste texto.

Segundo Rodrigues, os quatro vereadores do partido receberam a orientação de votar "sem a interferência do governo municipal", de acordo com o que acharem "melhor para a cidade."

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"Não significa oposição. Se acharmos o projeto interessante, votaremos a favor. Se não acharmos, votaremos contra", afirma.

Alvo principal das exonerações, Souza Santos foi atingido diretamente pela demissão de seu irmão, Gilmar Souza Santos, que era secretário adjunto de Habitação. O PRB foi impactado pela demissão de Marcia Mendes, superintendente do serviço funerário, setor no qual o partido tem bastante influência há anos.

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Em suas articulações, o governo vinha evitando enviar à Câmara o projeto de lei referente à concessão do serviço funerário e dos cemitérios da cidade, para não desagradar o PRB, que temia que a desestatização minasse sua influência no setor. Diante desse novo momento da relação entre prefeitura e partido, é possível que em breve o projeto seja protocolado —é o único do pacote de desestatização que não foi enviado à Câmara.

"Não visamos espaço no governo municipal, não queremos cargos. Não permanecemos na base aliada porque entendemos o recado de que o PRB não é importante para o governo municipal e nem para o pleito político de 2018", conclui Rodrigues.

Além das divergências na Câmara, Doria tem encontrado resistência aos seus projetos de privatização no Tribunal de Contas do Município.

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Os planos de privatização do Anhembi, de reforma de pontes nas marginais Tietê e Pinheiros e de concessão dos cemitérios, crematório e serviço funerário foram barrados pelo TCM nas etapas iniciais, antes mesmo da publicação de editais de licitação, pegando a prefeitura de surpresa. A prática do TCM tem gerado recepção dividida entre especialistas.

Mesmo que seja aprovado em segunda votação em breve, o projeto de lei de privatização do Anhembi foi "fatiado" em dois depois de pressão de vereadores, e a alienação só poderá acontecer depois de estudos sobre o zoneamento da região e a votação de outro projeto de lei para tratar especificamente dos dados levantados por esses estudos.

A votação da privatização do Anhembi deve acontecer nesta terça-feira (5).

Após disputa no PSDB com seu padrinho político, Geraldo Alckmin, para a escolha do candidato do partido à Presidência da República no ano que vem, Doria acabou sofrendo desgastes —e não decolou nas pesquisas.

Agora, poderá tentar uma vaga ao governo de São Paulo —para isso, terá que sair do cargo antes do início de abril.

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