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'#Screamers' é um rascunho precário, rápido e esquecível

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ANDREA ORMOND

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - "#Screamers" deve ser encarado como um rascunho. Precário, rápido e esquecível.

Tom (Tom Malloy) e Chris (Chris Bannow) fundaram uma empresa de tecnologia. Em vez do Vale do Silício, moram em uma cidade qualquer. Decidem gravar um institucional sobre a empresa e eis que coisas-estranhas-acontecem. Daí para menções a Jack, o Estripador é um pulo.

Nos anos 90, "Pânico" de Wes Craven brincou com os clichês dos "slasher movies". Muitos deles criados pelo próprio Craven, pai de Freddy Krueger e "A Hora do Pesadelo". Em "Pânico" —ou "Scream", no título original— a intenção era debochar de referências cinematográficas.

"Screamers" pegou uma fração desse universo e resolveu esvaziá-lo. Levando-se a sério, como herdeiro da tradição americana e primo distante de "A Bruxa de Blair", o filme se preocupa com o glacê e perde a qualidade do original. Preferiu registrar as respirações abafadas, as vozes, o clima de falso documentário sobre os crimes que vão acontecer. Tudo na superfície.

E vale dizer que o horror cinematográfico é cheio de possibilidades. Temos a corcunda do "Nosferatu", as patologias de "Nekromantik", as unhas de Zé do Caixão, a filosofia de "Bloodsucking Freaks". Por aí vai.

Faltou ao diretor Dean Matthew Ronalds a malícia de criar efetivamente o suspense, a crueldade. Grito por grito, fiquemos com vídeos clássicos, como o de velhinhas sendo assustadas por netos hiperativos. Cinema é outro departamento. Ele se alimenta de fotografia, ritmo, construção.

O aspecto interessante de "#Screamers" está no lado de fora do horror: na crônica de costumes. O filme acompanha as entranhas —metafóricas, pois o estilo não chega a ser "gore"— de uma companhia de TI.

Como não fazem parte da geração de Jerry Yang e são pós-Zuckerberg, Tom e Chris não vendem o deslumbre da tecnologia. Tom é palestrante motivacional, Chris é barbudo hipster. O fiel escudeiro é gay, a programadora preferida é nerd.

Dean Ronalds coloca os quatro para conviverem de modo satisfatório, naquele umbral de câmeras e algoritmos. Discursos sobre autoajuda e dinheiro. Sem saberem, os usuários entregam seus dados para terem acesso aos serviços da turma. E quando a intimidade é invadida, os demônios são soltos.

Com essas tiradas, "#Screamers" poderia ter sido irônico, poderia ter sido claustrofóbico. Mas não. É apenas pouco inspirado.

#SCREAMERS

Direção: Dean Matthew Ronalds

Elenco: Tom Malloy, Chris Bannow e Griffin Matthews

Produção: EUA, 2017, 12 anos

Quando: em cartaz

Avaliação: regular

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