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Lei que limita investigação em Israel gera protesto

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SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O primeiro-ministro de Israel, Binyamin Netanyahu, disse neste domingo (3) que um projeto de lei que limita investigações policiais deve ser revisado para que não se aplique a investigações em que ele mesmo é suspeito.

O texto, que levou a protestos em Israel, proibiria a polícia de divulgar que tem evidências suficientes para indiciar um suspeito.

Críticos dizem que o projeto de lei é uma tentativa de proteger o premiê e reduzir a transparência das investigações em que ele é suspeito de corrupção. Para apoiadores do texto, é uma tentativa de proteger os direitos legais e as reputações dos suspeitos.

Cerca de 20 mil israelenses foram às ruas de Tel Aviv na noite de sábado (2) contra a corrupção e pedindo a renúncia de Netanyahu, em um dos maiores protestos já enfrentados pelo primeiro-ministro.

Com a pressão da opinião pública, o apoio ao projeto de lei entre os congressistas começou a se enfraquecer um dia antes de o Parlamento ratificar o texto.

"Para que o debate sobre o projeto de lei seja sobre o mérito e não seja usado para propaganda política, pedi [...] que ele seja escrito de forma a não se aplicar a investigações em curso sobre meus assuntos", escreveu Netanyahu em uma rede social.

Ele afirmou que disse ao autor do projeto de lei, David Amsalem, do Likud, mesmo partido de direita de Netanyahu, que o texto estava sendo usado como "uma arma contra o governo".

Mas, defendendo o projeto de lei, Netanyahu disse que "o texto tem a intenção de evitar que a polícia publique recomendações que deixam uma nuvem sobre pessoas inocentes, coisa que acontece todos os dias".

INVESTIGAÇÕES

Uma das investigações sobre Netanyahu diz respeito a presentes que ele teria recebido de empresários. Ele também teria pedido reportagens elogiosas ao "publisher" de um jornal em troca de limitar a atuação de um outro jornal.

Em outro caso, existe a suspeita de conflito de interesses na compra de submarinos no valor de US$ 2 bilhões -o advogado do premiê, que também é primo dele, representou a empresa alemã envolvida e teria recebido uma porcentagem do contrato.

Netanyahu nega irregularidades. O premiê já se descreveu como vítima de uma "caça às bruxas" política e diz que será inocentado. "Não haverá nada porque não há nada", ele tem repetido.

Se for indiciado, Netanyahu poderia ser pressionado a renunciar ou poderia chamar novas eleições para testar se tem apoio para governar.

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