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Em livro, gamer conta trajetória até se tornar atleta profissional de League of Legends

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SARAH MOTA RESENDE

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Gabriel Bohm não corre, mas é um atleta de ponta. Disputa campeonatos mundiais, é cercado de técnicos, tem contrato, patrocínio e, como jogadores de futebol de elite, dá autógrafos, tira selfies com fãs e seu "passe" vale muito, muito dinheiro.

Também conhecido como Kami, apelido que adotou desde que entrou para o mundo dos games, Bohm lançou em outubro sua primeira empreitada literária. Em "Lendário", o jovem de 21 anos conta como se profissionalizou no League of Legends (LoL), um dos jogos de computador mais famosos do planeta.

"A ideia de escrever um livro surgiu tem quase dois anos e eu topei porque sempre gostei muito de ler. No início, o intuito era fazer algo de ficção, como a maioria dos youtubers faz, mas ficamos com medo da recepção dos fãs, já que é a primeira obra do tipo no cenário do esporte eletrônico", diz à reportagem.

Papo vai e papo vem com a editora até decidiu-se que a estreia seria uma espécie de autobiografia em que Bohm pudesse contar como começou, como profissionalizou-se, curiosidades da sua vida ?o que inclui trechos em que fala sobre sobre sua homossexualidade? e bastidores da rotina no universo do game.

"Muita coisa o pessoal não conhece, então a ideia também foi mostrar um pouco da vista de dentro para o leigo. Nosso desafio nunca foi levar para a dona de casa, até porque ela não tem obrigação nenhuma de conhecer, mas que, caso conheça, talvez goste muito", diz o atleta da paiN Gaming, vencedor do Campeonato Brasileiro em 2013 e 2015.

Bohm nasceu em Pelotas (RS), mas morou boa parte da adolescência em Florianópolis (SC). Começou a jogar, por distração, quando a mãe saía para trabalhar, por vezes precisando dormir fora, ele ficava sozinho em casa -os pais são separados.

"Eu jogava casualmente até que, em 2011, eu comecei a me destacar. Eu fui subindo no ranking até que cheguei ao posto de brasileiro com maior pontuação na temporada". E, se no seu primeiro time, ganhava R$ 20, hoje consegue faturar até mais R$ 20 mil por mês.

Mesmo com futuro promissor como atleta de jogo eletrônico, Bohm não descarta a faculdade de ciências aeronáuticas. Quer ser piloto. Enquanto esse dia não chega, precisa se manter em forma para os campeonatos em terra firma -haja postura, visão e dedo.

"Talvez a gente fique menos no computador do que muita gente que trabalha em escritório. E justamente por saber que é trabalho, a gente cuida mesmo da saúde. Não podemos ter uma tendinite que atrapalha tudo. A gente tem cadeiras específicas para a postura, frequentamos a academia, temos uma alimentação balanceada. Cuidamos mesmo porque é uma rotina muito estressante e cada detalhe é importante. Se uma boa alimentação vai te deixar 2% melhor, por exemplo, você precisa investir nisso."

'LENDÁRIO'

AUTOR Gabriel Bohm

EDITORA Suma das Letras

QUANTO R$ 30,90 (147 págs.)

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