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Tribunal da ONU vai investigar como Praljak entrou com veneno na corte

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SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O Tribunal Penal Internacional em Haia, na Holanda, anunciou nesta sexta-feira (1º) que fará uma investigação independente sobre a morte do líder bósnio-croata Slobodan Praljak.

O militar morreu na quarta (29) dentro do tribunal depois de tomar um veneno de um frasco logo após ter ver seu recurso contra uma pena de 20 anos ser negado.

O inquérito vai ocorrer de forma paralela ao realizado pela polícia holandesa e tem previsão de ser finalizado até o final do ano.

O principal objetivo da investigação do tribunal da ONU é revisar os procedimentos de segurança da corte para descobrir como Praljak entrou com o veneno na sessão.

A investigação será liderada por Hassan Jallow, que já atuou no tribunal em julgamentos sobre a guerra em Ruanda.

O CASO

O Tribunal Penal Internacional para a Antiga Iugoslávia foi criado em 1993 pela ONU para investigar os crimes cometidos durante as guerras que levaram a separação do país em diversas repúblicas. Ele será encerrado no final de 2017.

Prajlak, um cineasta que se alistou voluntariamente no Exército da Croácia no início do conflito, foi um dos líderes das tropas bósnio-croatas, que tentaram criar um Estado de maioria croata dentro do território da Bósnia.

Ele lutou tanto contra os sérvios, que tentavam manter a região unificada, quanto contra os muçulmanos, que lutavam pela independência bósnia.

Praljak foi inicialmente condenado em 2013, junto com outras cinco pessoas, por não ter impedido que soldados do Exército bósnio-croata sob seu comando matassem civis muçulmanos na cidade de Mostar entre 1993 a 1994.

Na quarta (29), o tribunal manteve apenas parte dessas condenações, o que não alterou a pena de 20 anos.

Assim que os juízes anunciaram a decisão, o militar se levantou, gritou "eu não sou um criminoso de guerra, me oponho a essa condenação", pegou um frasco do bolso e bebeu o líquido que estava dentro.

Imediatamente o juiz que comandava a sessão, Carmel Agius, suspendeu a audiência e chamou socorro. Paramédicos entraram na sala e levaram Praljak de ambulância para um hospital, mas ele não resistiu.

Com isso, Agius declarou que a sala foi uma "cena de um crime" e o local foi isolado.

A promotoria holandesa revelou na quinta (30) que Prajlak tomou uma "substância química" mortal, mas disse não ter identificado exatamente qual era o líquido.

Uma autópsia deve ser feita nos próximos dias no corpo do militar para ajudar a esclarecer o caso.

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