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Para prefeito de Manaus, dependência de ZF atrapalha uso de biodiversidade

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LEONARDO NEIVA, ENVIADO ESPECIAL

MANAUS, AM (FOLHAPRESS) - O Estado do Amazonas explora pouco sua natureza e recursos naturais, devido à grande dependência financeira que criou em relação à Zona Franca de Manaus.

Com isso, a região ficou mais suscetível a crises como a que atingiu o país nos últimos anos, já que o polo industrial fabrica produtos não essenciais, que acabam perdendo consumidores em períodos de contenção de gastos.

As afirmações foram feitas pelo prefeito de Manaus (AM), Arthur Virgílio (PSDB), na abertura do seminário O Futuro da Amazônia, que acontece nesta segunda-feira (27) na capital amazonense. O evento é organizado pela Folha de S.Paulo, com o patrocínio da Manaus Ambiental e Manaus Luz e apoio do Banco da Amazônia.

A Zona Franca de Manaus é uma zona industrial brasileira criada em 1967, para impulsionar o desenvolvimento econômico da região. As indústrias instaladas no local recebem uma série de incentivos fiscais, como isenção de impostos.

"Podíamos ser uma super Costa Rica, que vive exclusivamente da sua natureza, biodiversidade e do ecoturismo. Hoje enfrentamos um drama duplo: somos um Estado dentro de um país em crise e dependemos da capacidade de compra de clientes que precisam se prevenir por causa do desemprego", afirmou.

Virgílio disse que falta uma atenção maior do restante do Brasil para a região e que o país é alienado em relação à Amazônia. O prefeito também criticou a visão negativa de algumas pessoas sobre os incentivos fiscais dados pelo governo à Zona Franca.

"Prevalece aquele julgamento canhestro de que o incentivo que vem para cá é dinheiro desperdiçado. Isso não é absolutamente verdade, esse dinheiro é bem inferior ao que retorna para o Tesouro a partir dos tributos aqui recolhidos."

Virgílio sugeriu uma parceria com outros Estados, como São Paulo, geralmente visto como antagonista no setor industrial, para pensar estratégias que estimulem o desenvolvimento da região.

"Especialistas preveem que a água deverá ser uma commodity mais importante que o petróleo até a virada do século, e o grosso da água potável no mundo está aqui. Brasil, aprenda a fazer coisas boas conosco para que nós cresçamos juntos."

O prefeito aproveitou a ocasião para defender a reforma da Previdência e cobrar mais coragem do governo federal para deixar de lado pretensões eleitorais e tomar decisões que, segundo ele, são importantes para o futuro econômico do país.

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