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Parentes de tripulantes começam a voltar para casa desiludidos

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CAROLINA VILA-NOVA, ENVIADA ESPECIAL

MAR DEL PLATA, ARGENTINA (FOLHAPRESS) - Passados 12 dias do desaparecimento do ARA San Juan, as entrevistas coletivas do porta-voz da Marinha, na sede da força em Buenos Aires, começam a ficar repetitivas.

"Ainda não encontramos o submarino", começa Enrique Balbi, o porta-voz. "Queria dar notícias melhores", diz, pelo terceiro dia consecutivo.

"Que indícios vocês têm de que os 44 tripulantes ainda possam estar vivos?", pergunta um repórter pela enésima vez. O porta-voz explica, pacientemente, como já fez antes, que, por respeito às famílias, não fará conjecturas.

Em outro momento, diz "que se tenham passado 11 dias não impede que possam estar em uma situação de sobrevivência extrema" --sem explicar o que isso seria.

Com a escassez de informações, apesar do incremento das operações de busca e resgate do submarino, os encontros com a imprensa foram reduzidos. O que acontecia regularmente na Base Naval de Mar del Plata, destino final do San Juan, não acontece mais.

Em Buenos Aires, ocorriam às 10h e às 19h (horário local). Desde o sábado, há apenas um encontro por dia, salvo algum avanço importante nas operações-- algo que ainda não aconteceu.

As famílias dos tripulantes também começariam a se desmobilizar. Apenas uma parte permanece alojada na Base Naval de Mar del Plata. Outra parte foi deslocada ao Hotel Antártida, também na cidade, mantido pela Marinha. Muitos decidiram voltar para suas casas.

"A Marinha continua prestando a eles ajuda psicológica", afirmou Balbi.

Por causa do mau tempo, com ventos de até 60km/h, a aguardada descida do minisubmarino americano ao fundo do mar não pôde ser realizada na noite de sábado (25).

O minisubmarino zarpou neste domingo (26) a bordo do navio norueguês Sophie Siem e deve chegar à zona de buscas nesta segunda.

Também é esperada a chegada a Comodoro Rivadavia (sul) de uma embarcação com equipamentos russos de observação subaquática considerados de última tecnologia.

"Continuamos priorizando a busca subaquática, varrendo o fundo do mar", afirmou Balbi.A operação está concentrada em uma área com um raio de 64km e profundidades entre 200 metros e 1.000 metros, calculada com base na última comunicação feita pelo submarino e no local onde teria ocorrido a explosão.

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