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É cedo para saber impacto político da crise do submarino, diz especialista

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CAROLINA VILA-NOVA, ENVIADA ESPECIAL

MAR DEL PLATA, ARGENTINA (FOLHAPRESS) - Ainda é cedo para avaliar as implicações políticas que a crise gerada pelo desaparecimento do submarino ARA San Juan pode ter para o governo do presidente Mauricio Macri na Argentina, afirmou o especialista em opinião pública Orlando D'Adamo.

O San Juan completa, neste domingo (26), onze dias de desaparecimento.

"A opinião pública está em expectativa. É como estar assistindo a um filme do qual não se sabe o final", afirmou.

Já dentro da Marinha, disse ele, "seguramente vai ter implicações muito sérias".

Tem sido frequentes nos últimos dias relatos de que o governo prepara uma substituição do comando da Marinha, mas que deixaria isso para depois que o submarino for encontrado ou que a crise tenha um desfecho.

Quando os rumores se acentuaram, o presidente Macri optou por realizar uma entrevista coletiva na sede da Marinha, em Buenos Aires, o que foi interpretado como um sinal de respaldo. Nessa ocasião, disse que o foco era a operação de buscas e que não era o momento de apontar o dedo para os culpados.

O chefe dos submarinistas da Marinha, encarregado da comunicação com os familiares dos tripulantes em Mar del Plata, destino final do San Juan, pediu para passar para a reserva nesta semana, segundo informações do jornal "Clarín".

D'Adamo avalia que os esforços de comunicação por parte da Marinha em torno do desaparecimento do San Juan foram desastrosos.

"A comunicação do governo não foi ruim. Mas a comunicação a partir do Centro Naval nos primeiros dias foi desastrosa", afirmou D'Adamo à Folha de S.Paulo.

Dentre as primeiras comunicações feitas pelo porta-voz da Marinha, Enrique Balbi, estava a de que o submarino não estava desaparecido até que começassem a procurá-lo e não o encontrassem.

"O que desorienta os especialistas é não poder encontrar um barco de 60 metros de comprimento", afirmou.

"E por que digo isso? Quando a situação é tão indefinida, ela se torna muito difícil de se comunicar. Tudo é incerto. Inclusive todos os 44 tripulantes podem ainda estar vivos", acrescentou.

Já Macri, diz ele, "segue um protocolo dentro do é seu estilo de comunicação".

O presidente viajou a Mar del Plata para se encontrar com familiares dos tripulantes, mas tem deixado a maioria das comunicações à imprensa a cargo da Marinha.

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