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Historiadora tenta solucionar sumiço de explorador britânico na Amazônia

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VINÍCIUS LEMOS

CUIABÁ, MT (FOLHAPRESS) - O misterioso desaparecimento do coronel inglês Percy Fawcett no Brasil em 1925 ganhará mais um capítulo nos próximos meses, quando a jornalista italiana Margherita de Tomas lançar seu livro sobre o tema. Para sua pesquisa, ela teve de andar por florestas brasileiras por mais de duas décadas atrás de pistas.

O coronel veio ao Brasil pela primeira vez em 1906, para demarcar as quase intocadas fronteiras entre Bolívia, Brasil e Peru. Durante a viagem, encontrou vestígios que afirmou serem referentes a uma suposta Cidade Perdida, denominada Z, na floresta amazônica.

Em 1925, ele retornou ao país para procurar a civilização no coração do Brasil. Durante a busca, porém, desapareceu. O coronel estava com o filho, Jack Fawcett, e o amigo Raleigh Rimmel. Eles cruzaram uma floresta em uma grande região não mapeada -supostamente próximo ao município de Barra do Garças (a 520 km de Cuiabá)- e nunca mais foram vistos.

Desde então, o desaparecimento é cercado de mistérios. Os corpos deles nunca foram encontrados e diversas teorias foram criadas. O caso tornou-se fonte de inúmeras buscas, obras literárias e da produção hollywoodiana "Z "" A Cidade Perdida", lançada em junho.

Em meio a diversas versões da aventura do britânico, a história da jornalista Margherita de Tomas chama a atenção. Desde 1996 ela investiga as pegadas do coronel. As apurações começaram após ser convidada por Timothy Paterson para auxiliá-lo a descobrir detalhes sobre a última expedição de Fawcett.

Timothy era bisneto de Nina Paterson, mulher do coronel, e morreu em 2004. Mesmo com a morte do companheiro de pesquisa, Margherita seguiu em busca de informações. "Um dos principais motivos que me levam a concluir o livro é honrar a pessoa de Fawcett, grandíssimo explorador, e em respeito à memória de Timothy", disse.

Segundo a jornalista, o livro "La Citta Invisibile - Un Grande Mistero del XX Secolo" (A Cidade Invisível - Um Grande Mistério do Século 20), que ainda não tem previsão para ser lançado no Brasil, tem o objetivo de mudar a visão de que Fawcett era um explorador tresloucado.

"Ele era um homem genial, pela coragem que demonstrava e pela postura controlada. Era uma mistura fascinante de ação e idealismo."

Ao longo dos anos de pesquisa, Margherita chegou a morar em Barra do Garças. Mato Grosso foi escolhido como ponto central para as buscas por ser o local do último vestígio de Fawcett.

Entretanto, não há definição sobre o local exato da última expedição do coronel.

A pesquisadora percorreu grutas, florestas, vales e outros lugares, além de analisar documentos em países como Inglaterra e EUA. Em razão das aventuras, passou a se classificar como exploradora. Ela também fez incursões em Goiás, Bahia e até no Peru, onde pesquisou a antiga civilização dos incas.

Entre as descobertas das pesquisas, a italiana destaca o fato de o inglês ter virado lenda e sido um dos últimos grandes exploradores que andavam a pé. "O Fawcett era uma pessoa bem preparada e amava o Brasil. Ele achou uma parte pouco conhecida do planeta, que era a região sul da Amazônia, onde acreditava que poderia haver os vestígios da civilização Z."

CIDADE PERDIDA

Margherita afirmou que a cidade perdida não era uma ilusão do explorador. A jornalista disse que há estudiosos que avaliam a possível existência de lugares arqueológicos semelhantes ao que o coronel afirmou existir.

"Acompanho o trabalho de arqueólogos e pesquisadores e muitos levantam a possibilidade sobre civilizações antigas na região da Amazônia. Isso não é nada estranho já que a cada dia, em todo o mundo, teorias da origem das civilizações são mudadas por novas descobertas."

O livro da italiana lista hipóteses sobre o sumiço do inglês. Entre elas está uma que diz que ele e os companheiros encontraram a cidade perdida e não conseguiram voltar. Há também outra que relata que o coronel foi morto por indígenas, mas a jornalista não crê nesta última.

"O Fawcett conhecia os indígenas do Xingu, eles são de natureza amável e nunca iriam matar um homem que supostamente visitou a aldeia deles. Além disso, ele era membro da Royal Geographical Society, de Londres, e treinou explorações por anos. Ele tinha até um pequeno vocabulário para dialogar com uma tribo que encontrou."

Conforme a pesquisadora, o livro não é uma biografia e tem como objetivo mostrar as descobertas feitas durante as apurações de mais de duas décadas. "Eu quero que as pessoas vejam como o Fawcett era um cara genial, que acreditava e seguia suas ideologias."

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