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Mugabe recebe imunidade jurídica e ficará no Zimbábue

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SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O ex-ditador do Zimbábue Robert Mugabe, 93, recebeu imunidade de processos judiciais e garantias de que sua segurança será preservada, como parte do acordo que levou à sua renúncia, anunciada na terça-feira (21).

Em entrevista à agência de notícias Associated Press, o chefe da União Nacional Africana Zimbabuana (Zanu-PF), Lovemore Matuke, disse que enviar o mandatário aos tribunais nunca fez parte dos planos do partido do regime.

"Ele está seguro, sua família está segura e sua condição de herói do país está garantida. O que pedimos foi a renúncia ou o impeachment."

Ao jornal britânico "The Guardian", o deputado Ziyambi Ziyambi afirmou que Mugabe e sua mulher, Grace, 52, terão os mesmos benefícios de um ex-presidente.

Membros do governo disseram à agência de notícias Reuters que o ex-mandatário deseja morrer no país, motivo pelo qual colocou como condição da renúncia a manutenção de sua segurança.

Mugabe não se manifestou oficialmente desde o fim de semana, quando havia dito que não pretendia renunciar.

Nesta quinta (23), zimbabuanos circularam em redes sociais uma foto do ex-ditador e da mulher sentados em um sofá com assessores.

Nela, Mugabe está com os olhos fechados e Grace aparece com cara de prostração. Não se pôde verificar, porém, a data e as condições em que foi feita a imagem.

Um dos líderes mais longevos e duradouros da África pós-colonial, Mugabe comandava o Zimbábue desde 1980. Sua renúncia veio depois que o Exército tomou o poder no país e o partido que ajudou a criar se voltou contra ele.

A principal causa do levante foi a deposição do vice, Emmerson Mnangagwa, 75, apoiado pelos militares e pela ala majoritária do Zanu-PF, para favorecer a primeira-dama em uma futura sucessão.

Mnangagwa, que voltou ao país, deverá assumir o governo nesta sexta (24). Pelo protocolo, Mugabe poderia participar da cerimônia de posse, prevista para ocorrer num estádio em Harare, mas isso não havia sido confirmado até a conclusão desta edição.

Em comunicado nesta quinta, o novo dirigente pediu aos zimbabuanos que não tenham nenhuma reação vingativa contra o ex-ditador.

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