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Pedro Cardoso abandona programa de TV pública em apoio a Taís Araújo

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SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O ator Pedro Cardoso abandonou, nesta quinta-feira (23), uma entrevista ao vivo no programa Sem Censura em um apoio aos grevistas e contra o presidente da EBC (Empresa Brasileira de Comunicação), Laerte Rimoli.

O presidente da EBC compartilhou em sua rede social posts que ironizam declarações da atriz Taís Araújo sobre racismo no Brasil.

"O sangue africano está em todos nós. Se esta empresa, que é a casa de todos brasileiros, tem um presidente que fala contra isso, não posso falar do assunto que vim falar", afirmou o ator.

Cardoso foi convidado a participar da atração para divulgar seu primeiro romance, "O Livro dos Títulos" (Ed. Record). Além da apresentadora Katy Navarro, também estavam no programa o cantor e percussionista Carlos Negreiros, que está à frente da Orquestra Afro-brasileira, que completa 75 anos; o professor Lúcio Lage, para falar sobre dependência digital; e o ator Hugo Bonemer, que está em cartaz em "Ayrton Senna, o musical".

Pedro Cardoso relatou ainda ter encontrado grevistas à chegada da emissora.

"Diante deste governo que está governando o Brasil, tenho muita convicção de que essas pessoas estão, provavelmente, cobertas de razão."

Após essas afirmações, Pedro Cardoso pediu desculpas e deixou o estúdio da emissora.

Em nota, a EBC afirma que o fato de o ator ter se expressado livremente durante o programa é "resultado da diretriz jornalística e profissional implementada pela atual direção".

"Nossa programação é a prova viva -e ao vivo- de que esta empresa de comunicação pública é plural, é democrática, acolhe a diversidade de opinião e respeita a lei, inclusive o direito de greve", finaliza a empresa.

POLÊMICA

Em agosto, durante palestra no TEDxSaoPaulo, Taís Araújo afirmou que a cor de seu filho faz com que as pessoas mudem de calçada no Brasil.

"Quando eu engravidei do meu filho, eu fiquei muito aliviada de saber que no meu ventre tinha um homem. Porque eu tinha a certeza de que ele estaria livre de viver situações vivenciadas por nós mulheres. Certo? Errado. Porque meu filho é um menino negro. Liberdade é um direito do qual ele não vai poder usufruir. No Brasil, a cor do meu filho é o que faz que as pessoas mudem de calçada, segurem suas bolsas, blindem os seus carros."

A declaração foi revelada apenas no dia 14 de novembro pela organização do evento onde fez a afirmação. Na ocasião, Taís Araújo foi convidada a falar sobre "como criar crianças doces num país ácido". Ela e o marido, o também ator Lázaro Ramos, são pais de duas crianças, João Vicente e Maria Antônia.

No último domingo (19), Rimoli replicou um post com a imagem de um homem em queda livre ao lado de um avião. Diz o texto: "Passageiro pula de avião ao constatar que Taís Araújo estava a bordo".

Nesta quarta-feira (22), Rimoli excluiu as imagens, publicando um pedido de desculpas. "Peço desculpas à atriz Taís Araújo e sua família por ter compartilhado um post inadequado em minha timeline".

Na sua timeline, Rimoli reproduz ainda posts em defesa do apresentador Wiliam Waack, afastado do "Jornal da Globo" após ser acusado de racismo. Waack aparece em um vídeo dizendo que o barulho de uma buzina é "coisa de preto". O vídeo foi divulgado em um grupo de WhatsApp de editores de TV antes de chegar à web.

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