Facebook Img Logo
  1. Banner
Mais lidas
Cotidiano

ONU pede maior combate a trabalho escravo após vídeo de leilão na Líbia

.

PATRÍCIA CAMPOS MELLO

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O Conselho de Segurança da ONU aprovou nesta terça (21) resolução exortando todos os países a intensificarem o combate ao tráfico de pessoas e ao trabalho escravo.

A resolução vem na esteira de vídeo divulgado pela rede de TV CNN, mostrando a aparente venda de migrantes africanos na Líbia. O vídeo desencadeou uma onda de protestos diante de embaixadas e nas redes sociais.

A resolução pede a adoção de leis mais duras de combate ao tráfico, a intensificação de investigações para desbaratar as redes de tráfico e uma maior oferta de apoio aos sobreviventes de escravidão.

"Evitar as situações que levam ao tráfico significa tratar de pobreza e exclusão", disse Antonio Guterres, secretário-geral da ONU. "Nos últimos dias, todos ficamos horrorizados com imagens de migrantes africanos vendidos como produtos na Líbia; é nossa responsabilidade coletiva acabar com esse crime."

O vídeo veiculado pela CNN mostra dois homens de pé enquanto outro anuncia lances, e, aparentemente, vende os jovens, descritos como "meninos grandes e fortes para trabalhar na roça", por US$ 400 (R$ 1.300) cada.

Após a divulgação do vídeo, artistas, esportistas e autoridades lançaram apelos para o combate à escravidão, e houve manifestações diante de embaixadas da Líbia na Europa e na África.

O governo de Burkina Fasso chamou para consultas seu embaixador na Líbia.

A resolução da ONU pede ainda mais cooperação entre países e o uso de tecnologia para enfrentar essa atividade criminosa, que gera cerca de US$ 150 bilhões por ano.

De acordo com relatório divulgado em setembro deste ano pela Organização Internacional para Migração e a Organização Internacional do Trabalho, há 25 milhões de pessoas no mundo submetidas a trabalho forçado, sendo 16 milhões no setor privado e o restante, obrigados pelo Estado a trabalhar.

Segundo o levantamento, 59% são mulheres e 19% têm menos de 17 anos. Em média, essas pessoas ficam 20,5 meses cativas antes de conseguirem fugir ou serem libertadas.

Líderes africanos e europeus vão se reunir na Costa do Marfim na próxima semana para debater migração e tráfico de pessoas.

MIGRANTES

A Europa fechou acordo em fevereiro com a Líbia para estancar o fluxo de refugiados mas não abordou o problema do trabalho escravo.

O número de migrantes chegando à Itália caiu 20% -foram 132.043 entre janeiro e setembro de 2016, e 105.418 no mesmo período deste ano. Como consequência, aumentou o total de migrantes que ficam na Líbia, o que atrai ainda mais traficantes de pessoas. Muitos deles estariam "vendendo" os migrantes.

A reportagem da Folha de S.Paulo esteve na Líbia em julho de 2016 e testemunhou as condições precárias dos centros de detenção de migrantes e as multidões de africanos oferecendo seus serviços em praças.

São jovens que se aglomeram nas rotatórias, esperando que os contratem para um dia de trabalho. Cada um leva seu instrumento para identificar o serviço que oferece -demolidores com martelos, pintores com rolos.

Após a derrubada do ditador Muammar Gaddafi, em 2011, o país viveu uma breve paz antes de mergulhar no caos. Hoje, tem três governos, guerra civil, fronteiras sem fiscalização e impunidade para os traficantes de pessoas.

Para completar, a Líbia está cercada por nações da África subsaariana com massas de jovens subempregados, ávidos pela oportunidade de emigrar para a Europa.

Estima-se que exista cerca de 1 milhão de imigrantes ilegais na Líbia, juntando dinheiro para enviar a suas famílias ou para pagar de US$ 1.000 a US$ 2.000 a um atravessador que os ponha em um barco para a Itália.

Funcionários da OIM documentaram o surgimento de mercados de escravos, onde migrantes detidos por traficantes de pessoas são vendidos a não ser que suas famílias paguem resgate.

"Várias pessoas me relataram essas histórias horríveis. Eles confirmam o risco de serem vendidos como escravos em garagens em Sabha pelos motoristas ou por líbios que recrutam os migrantes para um dia de trabalho, frequentemente em construção. No fim do dia, em vez de pagar o migrante por seu trabalho, eles o vendem", relatou um funcionário da OIM no Niger.

O portal TNOnline.com.br não se responsabiliza pelos comentários, opiniões, depoimentos, mensagens ou qualquer outro tipo de conteúdo. Seu comentário passará por um filtro de moderação. O portal TNOnline.com.br não se obriga a publicar caso não esteja de acordo com a política de privacidade do site. Leia aqui o termo de uso e responsabilidade.

Edhucca

Últimas de Cotidiano

×

Newsletter

Conteúdo direto para você:

Quero Receber