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Cinco são mortos em confronto no Rio

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RIO DE JANEIRO, RJ (FOLHAPRESS) - Uma tentativa de invasão da facção CV (Comando Vermelho) ao Morro do São Carlos, no Estácio, na zona norte do Rio de Janeiro, terminou com um intenso confronto entre policiais e criminosos, na noite de segunda-feira (20), e provocou a morte de cinco pessoas.

A facção, que controla o tráfico de drogas em diferentes favelas do Rio de Janeiro, tentou derrubar o ADA (Amigos dos Amigos), que tem o domínio das bocas de fumo na região. O grupo, rival do CV, é o mesmo de Antônio Bonfim Lopes, o Nem, ex-chefe do tráfico na Rocinha, na zona sul carioca --atualmente, ele cumpre pena no presídio federal de Porto Velho (RO).

Moradores relataram que, durante a noite de segunda, houve um intenso conflito armado. "É briga de traficante, briga de facção. Está rolando disputa de território. Está tendo muito tiro", disse à reportagem um homem que preferiu não se identificar.

"Na [favela da] Mineira, todo o entorno também teve muito tiro. Foi assustador", contou outro morador.

Ainda na noite de segunda-feira, um grupo de policiais militares ficou encurralado na comunidade durante patrulhamento.

Por conta disso, o Bope (Batalhão de Operações Especiais), divisão de elite da Polícia Militar, foi acionado.

MORTOS

O confronto terminou com cinco mortos, sendo que todos eram suspeitos, de acordo com as informações divulgadas pela assessoria da corporação. Os cinco chegaram a ser levados para o Hospital Municipal Souza Aguiar, no centro da cidade, mas não resistiram aos ferimentos.

A PM informou ainda que, em posse dos mortos, havia um fuzil calibre 5.56, quatro pistolas, carregadores, munições, granadas e equipamentos de comunicação.

Além disso, foram apreendidos dois pacotes de maconha e sacolés de cocaína, entre outros materiais.

A ocorrência foi registrada na Divisão de Homicídios da Polícia Civil, que abriu inquérito para investigar o caso.

Por meio de nota, a instituição informou apenas que "as vítimas ainda não foram identificadas".

Os tiros ocorreram, segundo relatos de moradores e de ferramentas não oficiais de mapeamento de confrontos atuantes nas redes sociais, no Morro do São Carlos e também nas comunidades da Mineira, do Querosene, do Fallet e do Fogueteiro.

Elas estão situadas no trecho entre os bairros do Estácio, de Santa Teresa e do Rio Comprido, formando um grande complexo de favelas.

A possibilidade de novos confrontos acabou prejudicando o funcionamento de uma creche municipal na região, informou a Secretaria Municipal de Educação. Mais de 140 crianças tiveram que ficar em casa.

CIDADE DE DEUS

Também nesta terça (21), 7.550 alunos ficaram sem aulas em razão de uma operação da Polícia Civil na Cidade de Deus, na zona oeste do Rio. Ao todo, 12 colégios, três creches e cinco EDIs (Espaços de Desenvolvimento Infantil) não abriram.

A operação teve como objetivo cumprir 61 mandados de busca e apreensão. Os alvos eram adolescentes suspeitos de terem praticado furto, roubo e tráfico de drogas.

O Estado do Rio enfrenta uma grave crise financeira, com cortes de serviços e atrasos de salários de servidores, e está perto de um colapso na segurança pública.

Um outro efeito dessa crise tem sido o aumento dos índices de criminalidade e a redução do número de policiais em favelas ocupadas por facções criminosas. As UPPs, base policiais em comunidades controladas pelo tráfico perderam parte de seu efetivo.

Nos últimos meses, têm sido rotina mortos e feridos por bala perdida, além de motoristas obrigados a descer de seus carros para se proteger dos tiros. Outro braço dessa crise é a morte de policiais. Só neste ano já foram 120 PMs assassinados no Estado -o último deles foi um sargento baleado em Niterói, durante um assalto, quando estava de folga neste domingo (19).

A situação de insegurança também levou o presidente Michel Temer (PMDB) autorizar o uso das Forças Armadas para fazer a segurança pública do Rio até o final do ano que vem.

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