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Vigias são intimados após agressão a ator

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MARIANA ZYLBERKAN

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Funcionários do terminal Parque Dom Pedro 2º, acusados de racismo pelo ator Diogo Cintra, 24, e afastados das suas atividades na tarde deste sábado (18), serão intimados a depor pela Polícia Civil. A informação é da delegada Gabriela Pereira, responsável pela investigação.

Os vigias foram identificados em imagens gravadas por câmeras do terminal no momento em que o ator é perseguido por agressores, pede ajuda aos funcionários, mas não é atendido. De acordo com as imagens, os funcionários olham passivos às cenas de violência e não tentam impedir as agressões ao jovem.

A delegada afirmou que os indícios de crime de injúria racial ainda serão investigado. "A injúria racial tem que ser externada por palavras e a vítima não relatou nada nesse sentido", disse a delegada. "Eles podiam chamar a polícia mas não o fizeram. Para mim isso é racismo sim", disse o ator.

O ator prestou depoimento de mais de seis horas na delegacia nesta terça-feira (21). As imagens captadas pelas câmeras de segurança do terminal mostram os momentos em que o ator foge de um homem com um pedaço de madeira na mão e, em seguida, pede ajuda aos vigias.

A Secretaria Municipal de Transportes da gestão João Doria (PSDB) afirmou que irá manter os funcionários afastados até a conclusão do inquérito policial. A pasta disse que abriu investigação interna para apurar a conduta dos agentes e irá rever os procedimentos de treinamento das equipes que prestam serviço em terminais.

ABORDAGEM

Diogo contou que estava voltando para casa, que fica no Capão Redondo, na zona sul, após passar a noite em uma festa com os colegas de elenco da peça em que atua há alguns meses. A pé, perto do terminal, ele foi abordado por dois homens que tentaram roubar seu celular. Como estava perto das catracas, resolveu correr em busca de ajuda.

Uma vez dentro do terminal, foi seguido pelos agressores que o acusaram de tentativa de roubo e insistiram com os vigias para que a questão fosse resolvida do lado de fora. "Quando me vi sendo arrastado para fora do terminal, entrei em desespero e comecei a me debater. Tive certeza que eles iam me espancar até desmaiar e, depois, me jogar no rio. Tive muito medo de morrer", disse Diogo à reportagem.

"Foi nesse momento que começaram as agressões. Tomei socos pelo corpo todo e pauladas na cabeça. Gritava e implorava para que parassem, mas eles continuavam com as agressões e os xingamentos." Três cachorros que estavam com o grupo também o atacaram.

Os agressores levaram seu celular e sua carteira.

AFASTADOS

O caso ganhou repercussão após o ator divulgar texto sobre o ocorrido em sua página em uma rede social. Na tarde de sábado (18), a Secretaria Municipal de Transportes afirmou que os funcionários envolvidos no caso foram afastados de suas atividades.

Nas imagens, é possível identificar ao menos dois agressores, que arrastaram o ator pelo braço para fora do terminal. Os demais estavam com capuzes que escondiam seus rostos. A secretaria municipal disse que ajuda a polícia nas investigações.

"O negro foi libertado da escravidão, mas não inserido na sociedade. Fomos jogados para as periferias. Hoje em dia temos mais direitos, o racismo é crime, mas não quero viver só de direitos. Quero poder ir ao supermercado e não receber olhares mal-encarados", diz o ator.

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