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Assassino Charles Manson morre aos 83 anos nos Estados Unidos

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SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O líder criminoso Charles Manson, preso há 48 anos por uma série de crimes –entre eles o assassinato da atriz Sharon Tate, mulher do cineasta Roman Polanski– morreu aos 83 anos na noite deste domingo (19) na Califórnia, nos EUA.

Segundo nota divulgada pelo Departamento de Correção e Reabilitação da Califórnia, Manson morreu de causas naturais às 20h13 do horário local (2h13 de segundo no horário de Brasília).

Ainda não está claro o que acontecerá com o corpo de Manson, já que ele não tem nenhum parente vivo.

Charles Manson foi condenado à morte em 1971 —sentença depois alterada para a prisão perpétua– por ordenar os massacres que resultaram em sete mortes, entre elas a de Sharon Tate, então com 26 anos e grávida de oito meses. Ele comandava uma espécie de culto que ficou conhecido como "Família Manson".

TRAJETÓRIA

Manson nasceu em 1934 em Cincinnati de uma mãe adolescente que estudiosos acreditam ser uma prostituta. Aos 8 anos, já estava no reformatório e passaria a maior parte da vida entrando e saindo de prisões por uma série de crimes, como roube de carros, aliciamento de menores e ataques a lojas de conveniência. Quando foi solto sob liberdade condicional em 1967, aos 32 anos, ele tinha ficado quase metade da vida preso.

Após ser solto, Manson se aproximou de Dennis Wilson, fundador dos Beach Boys —a banda acabou gravando pouco depois a a música "Never Learn Not to Love", composta pelo criminoso.

Manson também tentou entrar em acordo com o produtor musical Terry Melcher para o lançamento de suas músicas, mas os dois se desentenderam.

Foi nessa época que Manson começou a formar o culto que ficou conhecido como "Família Manson", que misturava ideias hippies, culto satânicos e princípios religiosos —para alguns seguidores, Manson seria o novo Cristo.

Retratado em seu julgamento com um solitário louco por drogas e com um poder de persuasão quase hipnótico, Manson ordenou a seus devotos realizar vários assassinatos aleatórios em bairros alvos de classe média alta para provocar uma "guerra racial apocalíptica".

O objetivo do grupo era fazer a comunidade negra ser apontada como culpada pelos crimes.

Em 8 de agosto de 1969, Manson ordenou que um grupo de seus seguidores atacasse casas em Los Angeles.

O grupo de seguidores de Mason, formado por Tex Watson, Susan Atkins, Linda Kasabian e Patricia Krenwinkel, foi então a casa onde Melcher costumava viver, mas o produtor não morava mais no local, que estava alugado para Tate e Polansky —o diretor estava viajando para fora do país.

O grupo chegou a casa pouco depois da meia-noite, já no dia 9 de novembro, e ainda do lado de fora matou a tiros Steven Parent, um garoto de 18 anos que era amigo do dono da casa.

Na sequência, os quatro seguidores da Manson invadiram a casa onde estavam Tate e três amigos, a cabeleireira Jay Sebring, o cineasta polonês Voityck Frykowski e Abigail Folger, herdeira de uma família milionária. Todos foram mortos a facadas.

Na noite seguinte, o grupo matou ainda um casal em Los Angeles. Nas cenas do crime, usaram o sangue das vítimas para escreverem nas paredes as palavras "porcos" e "Helter Skelter" —a música dos Beatles que Manson diz ter servido como sua inspiração.

Três meses após os ataques, um seguidor de Manson foi preso por um crime sem relação com o caso e contou a um companheiro de cela sobre o massacre, o que levou a prisão de Manson e do resto do grupo. O julgamento aconteceu em 1971.

O caso chocou os Estados Unidos, colocando um fim no sonho hippie de paz e amor e no movimento de contracultura que tinha surgido nos anos 1960.

Nas décadas seguintes, Manson virou tema de uma série de livros, filmes, canções, séries e até de um musical.

O músico Marilyn Manson, por exemplo, se inspirou no criminoso para criar seu nome artístico. E os Guns N' Roses gravaram a música de Manson, "Look at Your Game Girl".

Um dos assassinos mais conhecidos da história dos Estados Unidos, Manson sempre despertou atenção do público e sua história é tema do livro sobre um crime real mais vendido da história: "Helter Skelter", escrito por Vincent Bugliosi, o promotor responsável pelo julgamento do caso.

O criminoso dizia que seus planos foram inspirados por músicas dos Beatles.

Em 2014, Manson voltou ao noticiário por um anúncio de casamento com uma fã. Ele, porém, desistiu ao saber dos planos dela de expor seu cadáver após sua morte.

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