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Jornalista representa movimento estudantil de 2011

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SANTIAGO, CHILE (FOLHAPRESS) - Há um ano, a jornalista Beatriz Sánchez, 46, nem sonhava com uma carreira política quando foi contatada por um grupo de jovens congressistas e líderes de movimentos estudantis.

A proposta do coletivo era que ela fosse a candidata presidencial da então recém-criada Frente Ampla, uma coalizão de pequenos partidos e organizações sociais de esquerda, críticos à gestão de Michelle Bachelet.

Além da afinidade política, Sánchez tinha o que faltava aos principais líderes da Frente Ampla. Os deputados Giorgio Jackson e Gabriel Boric, surgidos das manifestações de 2011, assim como a também congressista Camila Vallejo, não poderiam concorrer à Presidência por causa da pouca idade --no Chile, é preciso ter mais de 40 anos para disputar o cargo.

No primeiro semestre, a candidatura de Sánchez despontou, chegando aos 18%. Agora, estacionou na casa dos 14%, e possivelmente ela ficará de fora de um provável segundo turno.

Ainda assim, seu eleitorado vem sendo cobiçado pelo centro-esquerdista Alejandro Guillier, que, segundo as pesquisas, passaria para essa disputa final com Piñera, no próximo dia 17 de dezembro.

A Frente Ampla por ora se recusa a anunciar um apoio a Guillier na segunda fase da eleição. "Disse e repito: não vamos jogar a final antes da semifinal. Não tem sentido adiantar conversas ou negociações para um segundo turno se ainda não sabemos o resultado de 19 de novembro", afirma Sánchez.

Além de se propor a avançar nas reformas iniciadas por Bachelet (por exemplo, para alcançar os 100% de gratuidade no ensino superior e aumentar a participação do Estado no sistema de aposentadorias, hoje privatizado), a Frente Ampla é das poucas coligações a defender políticas de integração social de imigrantes --uma população que vem crescendo nos últimos anos, com a chegada de grandes contingentes de venezuelanos e de haitianos.

Outro ponto que o grupo de legendas pretende levar ao debate é o da soberania da população mapuche, etnia indígena não reconhecida pela Constituição chilena que busca dar visibilidade a sua causa tanto por meio de protestos pacíficos quanto de atentados planejados por alas extremistas.

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