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Doria adota 'tolerância zero' e demite 3º assessor em 10 dias

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SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O prefeito paulistano João Doria (PSDB) demitiu nesta quarta (15) um gestor regional da cidade por causa de suas reclamações públicas sobre a redução de verbas para 2018.

Em audiência na semana passada, como a Folha de S.Paulo revelou, o prefeito regional Paulo Cahim disse que a região da Casa Verde/Cachoeirinha, na zona norte, poderia ser afetada por enchentes como consequência da não realização da limpeza de um piscinão.

A demissão de Cahim indica uma nova estratégia de Doria diante de funcionários envolvidos em qualquer tipo de polêmica. Nos últimos dez dias, três assessores foram demitidos horas após seus casos terem vindo à tona.

O primeiro desses exonerados foi o então chefe de gabinete da Comunicação, Lucas Tavares, após ter sido flagrado em gravação em tentativas de dificultar o acesso de jornalistas a dados públicos.

Já o segundo demitido foi o engenheiro Alexis Beghini, filho de um executivo do lixo que havia sido escalado pela prefeitura para fiscalizar a varrição no centro da cidade.

PRESIDÊNCIA

Doria trava disputa interna no PSDB com o governador Geraldo Alckmin para a escolha do candidato do partido nas eleições à Presidência no ano que vem. Alckmin teve papel decisivo na escolha de Doria como candidato tucano na disputa municipal.

Para ser candidato ao Planalto ou ao governo de SP em 2018, o prefeito terá de deixar o cargo até o início de abril.

Sobre a demissão do prefeito regional, a gestão informou em nota que ele será exonerado do cargo "por ter demonstrado conformismo diante das dificuldades, em lugar de empenho e criatividade na superação dos desafios, como exige a atual administração municipal de seus colaboradores".

A administração informou ainda que, a respeito da limpeza do piscinão mencionado na reportagem, "o pregão para contratação da limpeza foi suspenso pelo Tribunal de Contas do Município, mas os problemas apontados serão corrigidos e o desassoreamento do local será realizado até dia 15 de dezembro". E completa: "Todos os piscinões da cidade estão operacionais".

As queixas dele fizeram parte de um discurso inflamado que fez durante reunião da Comissão de Finanças da Câmara Municipal no último sábado (11), presidida pelo vereador petista Jair Tatto. "Me desculpem. Eu não sei qual é a força que eu posso representar nisso. Porque se não tivermos a força política e a visão de gestão, nós vamos ter muito problema com as enchentes em janeiro", afirmou Cahim à plateia.

Em seguida, ele fala sobre a situação do piscinão da avenida General Penha Brasil, que está sujo. "Nosso piscinão, o Penha Brasil, está assoreado e eu não tenho uma máquina que eu possa limpar. E eu passo todo dia em frente a ele. Aí vão me encontrar na feira e vão perguntar: 'O que o prefeito está fazendo?'"

E finaliza, seguido de aplausos: "Me desculpem a indignação, eu não concordo com essa planilha de orçamento para a Casa Verde." Nesta terça (14), antes da demissão, Cahim disse que as declarações gravadas são apenas um trecho de poucos segundos do contexto de uma audiência de quatro horas.

Quadro antigo do PSDB, Cahim foi presidente do partido na região e também chefe de gabinete da regional na gestão José Serra (PSDB), de 2005 a 2006. "Ali [na audiência] era um cidadão falando. É isso que eu falei mesmo, mas dentro de um contexto muito mais amplo", disse.

Reportagem da Folha de S.Paulo revelou no início do mês que a gestão Doria havia desembolsado apenas 21% do orçamento previsto para contenção de enchentes neste ano.

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