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Presidente do Líbano acusa Arábia Saudita de manter Hariri refém

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SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O presidente do Líbano, Michel Aoun, acusou nesta quarta-feira (15) a Arábia Saudita de manter o premiê libanês, Saad Hariri, e sua família, como reféns, qualificando a ação como um "ato de agressão".

"Não vamos aceitar que ele permaneça um refém cujo resgate não sabemos qual é", afirmou Aoun em um comunicado.

"Nada justifica que Hariri não tenha retornado em 12 dias. Por isso consideramos que ele esteja detido", disse Aoun.

Ele acrescentou que a família de Hariri também estava detida em sua casa na Arábia Saudita, sendo revistada sempre que entra ou sai.

Hariri renunciou abruptamente ao cargo de premiê em um comunicado transmitido pela TV da capital saudita, Riad, em 4 de novembro, jogando o Líbano em meio a uma disputa de poder entre a Arábia Saudita e o Irã. Desde então, ele não retornou ao país, mas prometeu fazê-lo nos próximos dias.

Aoun disse que não aceitará a renúncia de Hariri até que ele volte ao Líbano e a submete formalmente, explicando seus motivos. Políticos próximos a Hariri dizem que ele foi coagido a renunciar pelos sauditas.

Hariri nega que esteja detido. Riad nega que o tenha sequestrado ou forçado a renunciar.

Hariri sempre foi um aliado da Arábia Saudita no Líbano, enquanto Aoun é aliado político do Hizbullah, grupo islâmico xiita com fortes laços com o Irã e que os sauditas considera uma organização terrorista.

O governo de coalizão do Líbano foi formado no ano passado após um acordo político que tornou Aoun presidente, Hariri premiê e que incorporou membros do Hizbullah no gabinete.

A Constituição libanesa determina ainda que o presidente seja sempre cristão, o premiê, muçulmano sunita, e o chefe do Parlamento, muçulmano xiita.

PERFEITAMENTE BEM

Hariri escreveu no Twitter que está "perfeitamente bem" e que voltaria "se Deus quiser, ao querido Líbano, como prometi". Na quarta-feira, ele disse que voltaria em dois dias, mas que sua família ficaria na Arábia Saudia, "seu país".

Hariri tem nacionalidade saudita e a fortuna de sua família é baseada na companhia de construção Saudi Oger, construída por seu pai, Rafik Hariri, que serviu duas vezes como premiê libanês e foi assassinado em 2005.

O chanceler francês, Jean-Yves Le Drian, chega a Riad nesta quarta e deve se encontrar tanto com o príncipe herdeiro saudita, Mohammed bin Salman, quanto com Hariri na quinta-feira.

A França tem laços próximos com o Líbano, que esteve sob controle francês no período entre guerras.

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