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Governos devem pagar médicos do Hospital Universitário, diz reitor da USP

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PAULO SALDAÑA

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O novo reitor da USP, Vahan Agopyan, que assume o cargo em 2018, quer tentar convencer o governo do Estado de São Paulo ou a prefeitura da capital paulista a contratarem médicos para o HU (Hospital Universitário).

Alunos do curso de medicina estão em greve desde a semana passada contra o "desmonte" do HU. O hospital tem sofrido por falta de reposição de profissionais, após adesões nos planos de demissão voluntária promovidas pela atual gestão. O atendimento foi reduzido.

Localizado na Cidade Universitária, o hospital é usado pelos alunos para atividades práticas, mas também atende a população da zona oeste da cidade. Na interpretação do atual reitor, Marco Antonio Zago, seguida por Agopyan (seu vice e, agora, nomeado para ser o sucessor), a manutenção do hospital não faz parte das atividades-fim da universidade (ensino, pesquisa e extensão), e ainda consome uma parcela considerável do orçamento.

"Nós temos o interesse de termos um HU", diz Agopyan. "Mas não podemos ter responsabilidade pelo custeio da saúde da zona oeste da cidade", completa.

O tema, ao lado da manutenção de creches da USP (também esvaziadas por Zago) mobilizaram parte das manifestações no debate eleitoral. Mas Agopyan venceu a disputa -professores representam 85% dos eleitores.

Alunos da faculdade de Medicina estão em greve contra a situação do Hospital Universitário. Como o senhor pretende encaminhar a questão do HU?

- Está havendo um problema de informação. O HU é importante para atividades rotineiras de nossos alunos. Nós, como universidade, temos o interesse de termos um HU, e se não tivéssemos, teríamos que ter convênios com outros hospitais. Mas não podemos ter responsabilidade pelo custeio da saúde da zona oeste da cidade [área atendida pelo hospital]. Esse é o argumento. No Hospital das Clínicas de SP e de Ribeirão Preto, cuidamos de toda parte acadêmica, temos laboratório dentro do hospital, mas a Secretaria de Saúde faz o custeio.

E como resolver o impasse? O Estado não se mostrou interessado em assumir o HU.

- O governo [Alckmin] ficou assustado com a manifestação [a reitoria tentou em 2014 aprovar no Conselho Universitário a desvinculação do HU, mas o processo foi interrompido após forte oposição].

O debate nem sequer foi retomado no Conselho Universitário.

Qualquer coisa que queremos organizar com órgãos, há rebeldia. Mas o melhor negócio é explicar e comunicar para todo mundo o que está acontecendo. O que os alunos precisam é que o hospital funcione adequadamente. Queremos oferecer isso para eles, mas que a USP não arque com os custos. O governo federal criou uma empresa separada para gerir os hospitais universitários. Pelo SUS [Sistema Único de Saúde], temos hoje menos de 10% da despesas.

O que fazer?

- Nosso esforço tem que ser com os governos estadual e municipal, para que haja contratação de médicos por parte deles. Os funcionários não serão demitidos e é bom até para que os médicos da USP possam ter mais tempo para atividades acadêmicas. Hoje estão assoberbados com o atendimento da população da zona oeste.

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