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Última prova foi difícil e exigiu mais conteúdo, dizem professores

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SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A prova de ciências da natureza do Enem (Exame Nacional do Ensino Médio), aplicada neste domingo (12), mostrou aumento no nível de dificuldade e exigiu mais dos alunos do que os anos anteriores, segundo professores de cursinhos preparatórios.

O exame incluiu 90 questões sobre ciências da natureza (com perguntas sobre biologia, química e física) e matemática e suas tecnologias.

De acordo com Paulo Moraes, diretor de ensino do Anglo Vestibulares, a última etapa da prova cobrou muito mais conteúdo dos estudantes do que as edições passadas. "Só a interpretação de um gráfico, por exemplo, não era suficiente. O aluno precisava realmente saber o conteúdo da matéria", diz.

Ele também destacou a diversidade das questões, que abordou mais temas que a prova de 2016. "A prova do ano passado focou muito em meio ambiente e este ano foi bem dividido, o que fez com que ela tivesse uma fluidez". diz.

Segundo Moraes, o maior grau de dificuldade segue o da prova do último domingo (5), que abordou as ciências humanas e linguagens. "Viu-se em todas as áreas a mesma coisa, a exigência de mais conteúdo e um nível de dificuldade maior. A prova foi pensada como um conjunto, o que é muito bom".

Para Célio Tasinafo, coordenador pedagógico da Oficina do Estudante, de Campinas (SP), a prova mostrou a preocupação do Enem em formular questões contextualizadas, com aplicações práticas do conteúdo.

"Diferentemente de vestibulares mais tradicionais, como o da Fuvest, o Enem tem preocupação com contextualização. Na prova de matemática, por exemplo, quase não há questões da matemática pela matemática. De alguma forma quebram a ideia da utilidade da matéria", diz.

O coordenador cita como exemplo uma questão de geometria espacial que fala da criação de lagostas em um tanque e outra de análise combinatória sobre o símbolo da Copa do Mundo de 2014, que pede para o aluno calcular de quantas formas a figura poderia ser pintada.

A física foi ilustrada a partir de uma questão sobre camas elásticas e, a genética, com uma pergunta sobre distrofia muscular. Tasinafo também destaca a ocorrência de temas discutidos atualmente, como poluição e desenvolvimento sustentável.

"Essas questões atuais não aparecem tanto quanto na prova de ciências humanas, mas são conteúdos clássicos do Enem. Houve um equilíbrio entre cálculo e interpretação de texto sem prejuízo para os alunos com relação ao tempo", afirma.

Já Daily de Matos Oliveira, coordenador pedagógico do colégio Objetivo, o nível de dificuldade da prova não destoou em comparação com os anos anteriores.

"Dentro da visão geral, foi no mesmo nível dos anos anteriores. O pessoal acha mais difícil pela quantidade de questões de matemática, mas a prova teve questões bem clássicas do Enem", disse.

Para ele, uma questão sobre de que maneira a instalação de barragens prejudica o fenômeno da piracema (subida do rio pelos peixes) foi a mais complicada.

"Era como se o aluno precisasse ter lido anteriormente o texto que inspirou a questão. Precisava entender de biologia e de geografia para saber que a intervenção prejudica a piracema porque reduz o percurso da migração dos peixes", afirmou.

Por fim, o professor crê que parte dos alunos achou a prova difícil por "limitação de vocabulário".

"Muitos não entenderam a questão, mas para quem é professor pareceu uma prova tranquila. Sabendo o significado das palavras, foi uma prova limpa. Fiquei até preocupado com alguns alunos que vieram me perguntar o significado de algumas palavras. A briga para que leiam jornais, revistas e livros hoje em dia é enorme, infelizmente", concluiu.

PLANOS

Após o exame deste domingo (12), Vinicius Silva de Holanda, 17, pretende prestar vestibular para audiovisual na Unesp na quarta (15), e na Anhembi Morumbi, no próximo sábado (18). "É muito corrido. Tem dias que nem durmo direito de ficar estudando." Sua tática é analisar as provas dos vestibulares anteriores para se familiarizar com o estilo de cada teste.

Sofia Fonseca, 17, vai fazer uma prova por semana neste mês. Ela também analisa os testes anteriores, mas diz que prioriza tempo dedicado aos vestibulares mais desejados.

"Fiz o Enem, mas não era a minha prioridade. Nas próximas semanas, vou prestar FGV (Fundação Getúlio Vargas) [no dia 19] e Fuvest [no dia 26]", diz. "Minha principal aposta é a FGV, então vou gastar mais tempo estudando para essa prova."

A agenda de Ana Carolina Sato, 17, também está apertada. Pós-Enem, devei prestar engenharia nos vestibulares da Fuvest, Unicamp e Mackenzie, todos neste mês.

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