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Febre amarela fecha 1º parque na zona leste de SP

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PAULO GOMES

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Mais um parque ficará fechado em São Paulo devido à morte de um macaco infectado com febre amarela. E, pela primeira vez, na zona leste da capital paulista -todos os outros 12 fechados nas últimas semanas eram na zona norte.

O Parque Ecológico do Tietê será interditado preventivamente a partir deste sábado (11), após um símio infectado ter morrido na região.

O parque, que já estava sendo esvaziado nesta sexta (10), margeia as rodovias que dão acesso ao município de Guarulhos (Grande SP) e ao aeroporto internacional de Cumbica. Ele recebe cerca de 4.000 pessoas por dia útil -e 40 mil nos finais de semana.

Além disso, uma área num raio de 800 metros do local passará por operação de vacinação. A ação deve contemplar cerca de 8.000 moradores dos bairros Jardim São Francisco e Jardim Piratininga, no distrito de Cangaíba.

O anúncio foi feito pelo secretário estadual da Saúde, David Uip, ligado ao governo Geraldo Alckmin (PSDB).

Desde a confirmação da morte de um macaco por febre amarela no Horto Florestal, em 20 de outubro, uma série de medidas foram anunciadas contra a doença.

Inicialmente a Secretaria de Estado da Saúde fechou o Horto e, junto com a prefeitura, deu início a uma operação de vacinação na região.

A ocorrência da doença em São Paulo foi considerada pelo Ministério da Saúde como um novo ciclo da doença, diferente do anterior deste ano.

Segundo o presidente da Sociedade Brasileira de Virologia, Maurício Nogueira, a chegada do vírus a São Paulo era prevista. A pasta anunciou o envio de 1,5 milhão de vacinas para São Paulo.

Além do Horto, foram fechados preventivamente os parques da Cantareira, Anhanguera e outros nove.

Há ainda a recomendação para que não se frequente os parques lineares Canivete, Sena e Córrego do Bispo.

O governo do Estado projeta a reabertura dos parques estaduais que foram fechados para janeiro de 2018.

Moradores de bairro encravado no Horto relataram à Folha terem notado a redução no número de macacos na área. Isso pode indicar que a doença tem atingido os bichos mais do que se tem registro. Outros dois macacos mortos na zona norte tiveram a doença confirmada.

"Não temos nenhum caso de febre amarela [em humanos] confirmado em São Paulo", ressaltou David Uip.

O secretário pediu cautela com a corrida às vacinas devido aos efeitos adversos -adultos já vacinados não precisam receber outra dose.

Segundo Uip, há quatro casos de internação de pessoas vacinadas na zona norte por causa de efeitos adversos. É esperada a chegada de 2,8 milhões de doses da vacina nos próximos dias para a abastecer a capital, dez cidades na região do Alto Tietê e sete na região de Osasco -os municípios a oeste de São Paulo têm zonas de mata que fazem parte de um corredor ecológico pelo qual a doença pode se proliferar.

O centro de treinamento do Corinthians e o campus da USP Leste, na região do Parque Ecológico, não terão as atividades interrompidas por ora, informou a secretaria.

Neste ano, foram registrados 298 macacos mortos por febre amarela no Estado de São Paulo até 1º de novembro. Destes, 293 estão na região de vigilância epidemiológica de Campinas.

SURTO

O governo federal deu como encerrado o surto de febre amarela deste ano no país no início de setembro. O último caso tinha sido registrado em junho no Espírito Santo.

Os macacos não transmitem o vírus aos humanos -a transmissão ocorre se símios ou humanos infectados forem picados por um mosquito e o mesmo mosquito picar um humano. A chamada febre amarela urbana, porém, não ocorre no Brasil desde 1942.

Em 2017, houve 23 casos e 10 mortes por febre amarela silvestre no Estado de São Paulo. O surto que atingiu o Brasil neste ano foi o maior com número de casos em humanos desde 1980. De dezembro a junho, foram confirmados 777 casos e 261 mortes por febre amarela no país.

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