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Rios atingidos por lama da Samarco têm água imprópria, aponta ONG

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CAROLINA LINHARES

BELO HORIZONTE, MG (FOLHAPRESS) - Um relatório da Fundação SOS Mata Atlântica indica que a qualidade da água na bacia do rio Doce está ruim ou péssima em 90% dos pontos analisados.

Dois anos após o rompimento da barragem de Fundão, em Mariana (MG), a qualidade da água dos rios, que havia apresentado melhora entre 2015 e 2016, voltou a cair em nova medição realizada entre os dias 11 e 20 de outubro e publicada nesta terça (7).

O colapso da estrutura operada pela mineradora Samarco (controlada pela Vale e a BHP Billiton) provocou a morte de 19 pessoas e espalhou lama por 650 km -de Minas ao mar do Espírito Santo.

Segundo o relatório, o calor e a seca dificultaram a decantação do rejeito de minério. "Ao contrário, a estiagem e o baixo volume dos rios [...] favoreceram a concentração de poluentes e o consequente agravamento das condições ambientais e de qualidade das águas", afirma o texto.

Embora o rejeito não fosse tóxico ao sair da barragem, a lama revirou metais pesados dos leitos dos rios, contaminando as águas.

O relatório da ONG mostra que índices de turbidez da água, presença de oxigênio e de metais pesados estão fora dos padrões legais para o rio Doce, considerado de classe 2, segundo classificação do Conama (Conselho Nacional do Meio Ambiente).

Normalmente, nos rios de classe 2, é permitida pesca, irrigação, natação e consumo da água após tratamento. Nos 18 pontos monitorados pela SOS Mata Atlântica, porém, a água está imprópria para consumo e outros usos.

A ONG afirma ainda que o desmatamento e a falta de saneamento nas cidades da região agravam a situação do rio Doce, que deve se manter impróprio por anos.

Procurada, a Fundação Renova informou que "a água do rio Doce está apta para consumo, desde que tratada pelas concessionárias responsáveis (SAAE e Copasa), e os parâmetros são semelhantes ao registrado antes do rompimento da barragem de Fundão".

Segundo a fundação, os monitoramentos ao longo da bacia são acompanhados e fiscalizados por seis órgãos ambientais e de gestão de água, como a Agência Nacional de Águas e o Ibama.

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