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Estudantes realizam prova do Enem neste domingo

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Foto: Valter Campanato/Agência Brasil
Foto: Valter Campanato/Agência Brasil

Para não perder a prova, estudantes decidiram chegar bem cedo na Universidade Nove de Julho (Uninove), na Barra Funda, zona oeste da capital paulista, um dos maiores locais de prova do Enem. Houve estudantes quem chegou às 8h da manhã, caso do estudante Hayllan Guilherme Moreira Duarte, 18 anos, do Colégio Arteclinium, na zona oeste da cidade. Os portões abrem somente ao meio-dia e serão fechados às 13h.

Ele decidiu chegar bem cedo porque, no ano passado, ele chegou atrasado no segundo dia de provas do Enem porque o ônibus demorou a passar no ponto. “No ano passado eu perdi um dos dias de prova, mesmo eu indo só como treineiro. Este ano eu aprendi com isso. Ano passado eu perdi e nem parei na porta para não virar meme. Passei reto”, disse ele, ao lado de amigas que também chegaram bem cedo para prestar a prova com ele hoje (5). “O ônibus demorou uma hora e meia. Esperamos, o ônibus não veio. Ela [diz ele apontando para a amiga ao seu lado] chamou o pai e ainda assim não conseguimos chegar a tempo. Aí perdemos um dos dias. E esse ano é para valer”, disse ele a jornalistas.

Hayllan, que pretende fazer Marketing, disse estar preparado para as provas desse ano. “Estudei bastante. Mas nunca estamos 100% preparados”. Ele aprovou as mudanças no Enem este ano, inclusive a mudança na redação, que não vai mais zerar a prova caso a pessoa ataque direitos humanos.

“Acredito que, apesar de ser uma coisa muito ambígua e a se pensar, como a redação é para avaliação da qualidade do estudo e o quão bem uma pessoa escreve, acredito que é válida essa alteração. Tudo bem que fere os direitos humanos, que é algo errado e que discurso de ódio é crime. Mas o objetivo da redação não é avaliar se sou uma pessoa boa, mas se eu sei escrever bem uma redação, acho que está valendo e foi certo o que fizeram”, disse ele, que espera que o tema da redação deste ano aborde a questão da mobilidade urbana.

Ele também aprovou a mudança dos dias da prova, deixando-as para serem realizadas em domingos e não mais aos sábados. “Isso foi muito positivo. Eu trabalho de segunda a sábado e eu teria que faltar ao trabalho para fazer o Enem. Isso iria me prejudicar no trabalho. Isso sem falar que o pessoal vai mais descansado porque tem o sábado para dormir um pouco mais”, disse.

Já a estudante Beatriz Gomes do Nascimento, 17 anos, da escola Lourival Gomes Machado, faz a prova do Enem pela primeira vez. “Espero que dê tudo certo. Estou um pouco nervosa. É estranho. É a primeira vez que venho e tem muita gente. Mas espero que dê tudo certo, que lá [dentro da sala] eu me acalme e que eu passe também”.

Beatriz não aprovou algumas mudanças do Enem este ano. “Não gostei da mudança que eles fizeram [na redação] nos direitos humanos porque acho que você está ferindo o bom senso. Não achei legal. No ano passado você tiraria zero se ferisse os direitos humanos. E esse ano, não”, afirmou a estudante, que espera que o tema da redação este ano seja relacionado à natureza ou à discussão sobre o suicídio. Mas ela aprovou a mudança que prevê a realização das provas em dois domingos, eliminando o sábado. “Esse fato eu gostei porque você tem um tempo maior para descansar para a outra prova”.

A estudante Isabela Felix, 17 anos, que estuda em um colégio público na região do Itaim Bibi, também faz a prova do Enem pela primeira vez. “Estudei o ano inteiro e espero que eu vá minimamente bem”, afirmou. Isabela aprovou as mudanças nas provas deste ano. “Achei melhor porque antes ficava muito cansativo ter que fazer no sábado e no domingo”, completou.

Isabela acha que o tema da redação este ano deve abordar a questão da diversidade. “Estou preparada. Espero que eu faça direitinho”, disse. Sobre a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) em não mais zerar a prova de redação caso o aluno infrinja os direitos humanos, Isabela diz que essa questão “depende muito do aluno”. “Na minha opinião, isso deveria continuar da mesma forma [do ano passado] e não poderia atacar [os direitos humanos]”, opinou.

O Enem
Hoje (5) são realizadas as provas de Linguagens, Códigos e suas Tecnologias [Língua Portuguesa, Literatura, Língua Estrangeira, Artes, Educação Física e Tecnologias da Informação e Comunicação], Ciências Humanas e suas Tecnologias [História, Geografia, Filosofia e Sociologia] e Redação. A prova tem duração tem cinco horas e meia.

A grande novidade deste ano é que as provas são personalizadas com o nome e o número de inscrição do participante e a declaração de comparecimento passa a ser impressa pelo participante. Basta entrar na Página do Participante, fazer download da declaração, uma para cada domingo, imprimir e colher a assinatura do coordenador do local de prova no dia da aplicação das provas. Também haverá, na edição deste ano, detectores de ponto eletrônico, para localizar a emissão de sinais por celulares, wi-fi, Bluetooth e transmissões ilegais.

Em todo o Brasil, mais de 6,7 milhões de candidatos se inscreveram para a prova, que acontece em 1.725 municípios. O estado de São Paulo concentra 1,13 milhão de inscritos, o que corresponde a 16,8% do total. Só na capital, mais de 302 mil se inscreveram para o Enem. A prova será realizada em 209 municípios paulistas, mesmo número do ano passado.

No próximo domingo (12) será realizada a segunda prova do Enem, com provas na áreas de ciências da natureza e suas tecnologias [química, física e biologia] e matemática e suas tecnologias.

O Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) avalia o desempenho escolar e acadêmico ao final do Ensino Médio. O exame é realizado todos os anos pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) e pelo Ministério da Educação. A partir deste ano, o Enem deixa de certificar o Ensino Médio, função que voltou para o Exame Nacional para Certificação de Competências de Jovens e Adultos (Encceja).



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