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Meninos de 10 a 19 anos morrem mais no Brasil do que no Afeganistão, diz Unicef

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JÚLIA BARBON

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Meninos de 10 a 19 anos morrem mais no Brasil do que no Afeganistão, que vive em conflito armado há 16 anos. Por aqui, a taxa -que inclui homicídios e óbitos em guerras- é de 59 mortos a cada 100 mil jovens dessa idade, enquanto no país asiático esse índice é de 56 mortes.

Os dados são de 2015 e estão em relatório lançado nesta terça (31) pelo Unicef (Fundo das Nações Unidas para a Infância), que defende os direitos das crianças. A instituição diz não ter calculado o índice somando os sexos feminino e masculino por país.

O Brasil é o sétimo com mais mortes de garotos no ranking global, que é liderado pela Síria, em guerra civil desde 2011, e pelo Iraque, envolvido no conflito contra a milícia Estado Islâmico.

Quando se leva em conta apenas os homicídios, porém, o Brasil cai para a quinta pior posição, atrás de Venezuela, Colômbia, El Salvador e Honduras. Esses cinco países sozinhos são palco de um terço dos assassinatos de garotos de 10 a 19 anos no mundo, sendo que abrigam só 5% dessa população.

Considerando meninas e meninos, América Latina e Caribe respondem por metade dos 51 mil homicídios de adolescentes não ligados a conflitos armados. A região foi a única que piorou desde 2007, com taxa de 22,1 mortes por 100 mil jovens (38,5 entre os garotos e 5,1 entre as garotas).

No total, foram 82 mil crianças e adolescentes mortos em 2015 no mundo, tanto em assassinatos como em conflitos armados --ou um a cada 7 minutos. Para se ter uma ideia, o número equivale à população de Bebedouro (SP).

O estudo também compara outros tipos de violência contra a criança pelo planeta, como doméstica, sexual e escolar, mas o Brasil aparece pouco nesses índices.

Com relação à agressão disciplinar, diz que somos um dos 59 países que a proíbem, desde 2014, com a chamada lei da palmada. Só 9% das crianças de até 5 anos no mundo moram em locais onde esse castigo é totalmente vetado.

"Há uma alta probabilidade de que crianças vítimas ou expostas à violência a usem também para solucionar conflitos quando se tornarem adultas", conclui a pesquisa.

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