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Atropelador mata ao menos 8 em Nova York; FBI trata como terrorismo

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SILAS MARTÍ

NOVA YORK, EUA (FOLHAPRESS) - Um homem dirigindo uma caminhonete alugada invadiu uma ciclovia e deixou pelo menos oito mortos na tarde desta terça (31) em Nova York, na região sul de Manhattan, conhecida por abrigar a prefeitura, o distrito financeiro e o World Trade Center. O atropelamento aconteceu em uma ciclovia na rua West, que corre de forma paralela ao parque na margem do rio Hudson, nas proximidades da rua Chambers.

O FBI (a polícia federal americana) e a prefeitura tratam o caso como um ato terrorista. “É um dia muito doloroso em nossa cidade. Com base nas informações que temos até este momento, foi um ato terrorista, um ato covarde de terror. Sabemos que esse foi um ato para abalar nosso espírito, mas nós, nova-iorquinos, somos resilientes”, disse o prefeito Bill DeBlasio, democrata, lembrando que o ataque ocorreu a poucas centenas de metros do local do 11 de Setembro.

Segundo as autoridades, seis pessoas morreram no local e outras duas no hospital. Além delas, há pelo menos 11 feridos, mas o número pode aumentar.

A situação está controlada, mas as autoridades pedem que as pessoas evitem a região.

A caminhonete invadiu a rua West, uma ciclovia também usada para pedestres, atropelando quem estava no caminho. Após bater em outro veículo, o motorista saiu armado e foi atingido no abdômen pelos policiais. Ele está sob custódia, tem 29 anos e alugou o veículo no Home Depot, uma loja de utilidades domésticas.

As autoridades disseram que não vão divulgar o nome do suspeito no momento. A polícia afirmou que ele não é de Nova York, mas não deus mais detalhes sobre sua nacionalidade. De acordo com o jornal “The New York Times”, após sair do carro, o homem gritou a frase “Allahu Akbar” (Deus é grande, em árabe).

Segundo o governador de Nova York, Andrew Cuomo, não há, no momento, informações de que se trate de um plano terrorista mais amplo. "Sabemos que Nova York é um símbolo da democracia e da liberdade", disse Cuomo sobre o fato de a cidade ser atingida novamente. "Não vamos deixá-los vencer. Continuaremos com nossas vidas, não há uma ameaça corrente. Não há razão para ansiedade. Vocês verão um aumento das forças de segurança."

"Não deixem os terroristas mudarem suas vidas de nenhuma forma", disse ele durante uma entrevista coletiva sobre o caso.

O presidente americano, Donald Trump, comentou o caso em sua conta em uma rede social. "Em NYC [Cidade de Nova York], parece ter ocorrido mais um ataque por uma pessoa doente e perigosa. As forças de segurança estão seguindo o caso de perto. NÃO NOS EUA!"

Em nota, o Departamento de Segurança Doméstica disse que trabalha com o FBI e com a polícia de Nova York na investigação e que "permanece vigilante e comprometido com a segurança dos americanos”.

TESTEMUNHAS

"Tinha visto o caminhão. Não era alguém fugindo do trânsito. Sabia que era terrorismo. Vi os dois corpos. [As vítimas] Morreram na hora. Estavam no chão. Eram dois ciclistas, e a picape atropelou as pessoas ali mesmo, do lado da ciclovia que vai margeando a água", disse Eugene Duffy, chef de um restaurante próximo a onde aconteceu o atropelamento.

"Ele deve ter entrado por onde fazem entregas na rua 25. Esse lugar num dia normal é cheio de gente, ciclistas, pessoas passeando com seus cachorros. Se fosse num fim de semana, seria bem pior", afirmou ele.

Nesta terça ocorre o Halloween nos Estados Unidos, data tradicional na qual as crianças costumam ir para a rua pedir doces. No sul de Manhattan também acontecem desfiles que atraem grande público.

Tawid Kabir, um estudante que estava na ponte de pedestres em cima da rua Chambers na hora que a caminhonete invadiu a via, disse ter visto o atropelador. "Ouvi cinco ou seis tiros, daí deitei no chão, com medo. Era um homem branco de barba. Ele tinha dois revólveres."

Muitos estudantes testemunharam o atropelamento porque o local fica próximo à Borough of Manhattan Community College,

Eneneze John estava na escola na hora. "Sabia que uma coisa ruim poderia acontecer no Halloween. Ouvimos os helicópteros e de repente vimos os carros do FBI chegando. Não deixaram a gente sair do prédio na hora e falavam só que ia ficar tudo bem."

"Pensei que eram fogos de artifício. Mas depois soube que eram tiros. Foram uns seis tiros. Não é o que você espera ouvir aqui. Quando eu cheguei, já tinha dois corpos no chão e uma picape destruída, a frente dela toda arruinada. Só vi a destruição do ataque", disse o estudante Ruben Cabrera.

Seu colega John Williams também testemunhou o incidente. "Havia muitas pessoas ali na hora. Não vi a batida, mas sabia que eram tiros. Foram entre cinco e dez tiros."

Nos últimos meses, o uso de caminhões e vans para atropelar grupos ou multidões tornou-se uma tática recorrente de terroristas inspirados pela facção Estado Islâmico, mesmo por aqueles que não têm vínculos com ela.

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