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Trump decide não liberar todos os documentos sobre morte de Kennedy

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SILAS MARTÍ

NOVA YORK, EUA (FOLHAPRESS) - Donald Trump decidiu não liberar todos os documentos da investigação do assassinato de John Kennedy, alimentando mais teorias da conspiração sobre o caso.

Em vez de todos os arquivos, o presidente autorizou a divulgação de 2.800 dos cerca de 3.500 registros ainda secretos, alegando questões de segurança nacional para manter certos documentos fora de alcance. Alguns dos papéis secretos, no entanto, serão liberados com alterações, mantendo dados em segredo.

Turbinando a expectativa de historiadores, Trump havia anunciado nesta semana que os arquivos confidenciais desde que Lee Harvey Oswald deu o tiro que matou o então presidente em 1963 veriam a luz do dia em 26 de outubro deste ano, seguindo a previsão de uma lei da década de 1990 que estabelecia 25 anos de sigilo para os documentos.

Os National Archives, em Maryland, onde estão guardados os arquivos transformou seu site numa espécie de plantão de notícias, anunciando que os documentos poderiam ser disponibilizados on-line a qualquer hora.

Autoridades, no entanto, pediram ao presidente que mantivesse o sigilo sobre uma parte dos documentos, e Trump dará um prazo de seis meses para que os motivos da manutenção sejam detalhados ou pode liberar o acesso.

De acordo com a lei que determina a divulgação dos arquivos, o presidente pode barrar a liberação caso identifique ameaças à "defesa militar, a operações de inteligência ou à condução das relações exteriores" ou se o dano potencial for de "tamanha gravidade que supere o interesse público da divulgação".

Max Holland, um historiador que escreveu um livro sobre o assassinato de Kennedy, disse à reportagem que um motivo para não divulgar os arquivos pode ser que muitos dos envolvidos no caso ainda estão vivos e podem ser constrangidos pela revelação.

Entre eles está a viúva de Lee Harvey Oswald, Marina. Também pode haver revelações embaraçosas para o governo americano, em especial na parte da investigação no México, onde o assassino esteve no consulado cubano.

Holland lembra, no entanto, que todos os documentos em questão -cerca de 1% do total dos arquivos do caso- já foram analisados por historiadores na década de 1990, quando um filme de Oliver Stone acusou o governo americano de esconder dados.

Ele acredita que qualquer dado nos arquivos que mudasse a narrativa estabelecida até agora já teria vazado.

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