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ATUALIZADA - Após discussões, governo catalão desiste de antecipar eleições regionais

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DIOGO BERCITO

MADRI, ESPANHA (FOLHAPRESS) - O presidente catalão, Carles Puigdemont, desistiu de antecipar as eleições regionais, deixando aberto o caminho para que o governo espanhol destitua o seu governo.

Depois de a medida ser discutida durante toda a manhã e causar a fúria de seus aliados separatistas, ele discursou nesta quinta-feira (26) na sede de seu governo e disse que, na ausência de garantias democráticas, havia voltado atrás no gesto.

Com isso, parece inevitável que o Senado espanhol dê prosseguimento na sexta-feira (27) à aplicação do Artigo 155 da Constituição.

O dispositivo permite intervenções pontuais na autonomia catalã, retirando Puigdemont de seu cargo e forçando a convocação de eleições nos próximos seis meses.

Com a recusa do presidente, o Parlamento regional catalão se reúne nas próximas horas para discutir como reagir à aplicação do artigo.

Uma das saídas que restam a Puigdemont, se de fato não antecipar as eleições, é declarar a independência da Catalunha de maneira unilateral. Com isso, pode ser acusado de rebelião pelo Ministério Público, um crime cuja pena pode chegar a 30 anos de prisão.

"A sociedade catalã nos trouxe até aqui. Tentei ter serenidade e esgotar todas as opções que tinha em mãos", afirmou Puigdemont. "Ninguém pode dizer que não fiz sacrifícios pelo diálogo."

MOEDAS DE PRATA

Havia a possibilidade de que a aplicação do Artigo 155 fosse interrompida, caso Puigdemont antecipasse as eleições. Ele fechou a porta com o discurso na quinta.

O presidente catalão afirmou, em sua fala, que havia cogitado a medida. Possivelmente foi convencido a desistir dela devido à pressão das forças separatistas.

Representando o PDecAT (Partido Democrata Europeu Catalão), Puigdemont governa com o apoio de siglas como a CUP (Candidatura de União Popular), de extrema esquerda, e a Esquerda Unida. Ambas rejeitam antecipar as eleições, previstas para 2019.

"O movimento independentista tinha até agora um problema, que era o Estado espanhol. Se houver eleições, teremos outro problema, que será o governo catalão", disse na quinta o deputado Carles Riera, da CUP.

Gabriel Rufián, deputado da Esquerda Unida, sigla do vice-presidente Oriol Junqueras, publicou uma mensagem em uma rede social comparando a possibilidade de antecipar eleições com a traição de Judas Iscariotes, que, segundo a Bíblia, entregou Jesus por 30 moedas de prata.

Rufían mencionou "155 moedas de prata", em referência ao Artigo 155.

Caso antecipasse as eleições, Puigdemont não enfrentaria apenas a ira de seus aliados —ele seria confrontado também pelas multidões que mobilizou durante os últimos meses a fim de separar a Catalunha da Espanha.

Um plebiscito em 1º de outubro, considerado ilegal por Madri, teve 43% de participação do eleitorado, e 90% votaram no "sim". Centenas de milhares foram às ruas de Barcelona nestas semanas.

Já na quinta, com os boatos —que não se confirmaram— de que Puigdemont convocaria eleições, estudantes fizeram protestos por sua demissão, chamando-o de traidor.

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