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ATUALIZADA - Morre Fats Domino, ídolo e rival de Elvis

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THALES DE MENEZES

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Em 1969, após um show no hotel e cassino Hilton, em Las Vegas, Elvis Presley (1935-1977) recebeu a imprensa. Um dos repórteres o chamou, como tantos, de "rei do rock".

Elvis respondeu: "Não. Ele é o verdadeiro rei do rock and roll", apontando para o cantor e pianista americano Fats Domino, que acompanhava a entrevista antes de cumprimentar o astro do show.

Não era apenas uma idolatria. Elvis sabia o que estava falando. Aquele homem simpático, negro e gorducho, já fazia rock muito antes de Elvis. Ele morreu nesta quarta (25) na cidade de Harvey, Louisiana, aos 89 anos, de causas não reveladas.

Nascido Antoine Domino Jr., em 1928, era pianista de bares em Nova Orleans desde os 14. Domino foi um dos músicos que na década de 1940 anteciparam o rock and roll. Nesse time entram também Wynonie Harris (1915-1969), Ike Turner (1931-2007) e Jackie Brenston (1930-1979).

Domino lançou em 1949 o single "The Fat Man". Escutado hoje, parece puro rock.

Na verdade, ele acelerou o blues, martelando o piano, e colocou também muito de boogie woogie, um ritmo negro festivo de muita popularidade nos anos 1920. Passou a se apresentar com músicos que tocavam guitarra elétrica, baixo, bateria e saxofone.

"The Fat Man" ultrapassou 1 milhão de cópias vendidas e levou Domino a gravar mais, com sucesso, e a integrar a caravana do radialista Alan Freed, que inventou o termo "rock and roll".

O pianista caiu nas graças do público jovem branco, e os shows pelo país contribuíram bastante para reunir negros e brancos na mesma plateia. Quando Elvis apareceu, em 1954, sua aceitação geral foi muito facilitada pela jornada preliminar de Domino.

REI NEGRO, REI BRANCO

Não só no pioneirismo sua carreira mantinha similaridade com a de Elvis. Eles ficaram milionários. Quando o "rei branco" gravou seu primeiro disquinho, "That's All Right", o "rei negro" já tinha lançado, entre vários, quatro singles que venderam mais de 1 milhão de cópias.

Nesse xadrez roqueiro, Domino era o único ídolo de rock a ameaçar a dominação do furacão Elvis na segunda metade dos anos 1950. Foi nesse período que o pianista vendeu boa parte dos seus mais de 65 milhões de singles comercializados até hoje.

Como quase todos artistas dos anos 1950, Domino guiava sua carreira só pelos singles. Nessa fase inicial, não entrava em estúdio com a intenção de gravar um álbum. Os LPs com suas canções, lançados a partir de 1955, eram amontoados de faixas gravadas para compactos.

Assim, a melhor amostra da música de Domino está mesmo nas inúmeras coletâneas. Os hits incontestáveis: "The Fat Man", "Please Don't Leave Me", "Ain't That a Shame", "Goin' Home", "All By Myself", "Blueberry Hill" e "Let the Four Winds Blow".

Na metade dos anos 1960, Domino perdeu popularidade diante da revolução da contracultura e uma música mais complexa para os jovens. Mas seu reconhecimento era propagandeado pelas novas gerações de músicos.

Beatles e Rolling Stones tinham Domino como influência escancarada. Paul McCartney escreveu "Lady Madonna" pensando em compor uma música no estilo Fats Domino. Este, muito lisonjeado, tratou de gravar uma versão da música em 1968, o que deixou os Beatles mais lisonjeados do que ele.

A partir dos anos 1970, passou a excursionar cada vez menos. Ganhava muito dinheiro com direitos autorais das regravações de suas músicas e gostava de ficar a maior parte do tempo na sua mansão, em Nova Orleans.

Em agosto de 2005, na passagem do furacão Katrina pela cidade, não quis participar da evacuação, porque sua mulher, Rosemary, estava muito doente. Sua casa foi devastada, e Domino chegou a ser dado como morto -ele e a família, feridos, foram resgatados de helicóptero.

Em 2006, lançou um álbum, "Alive and Kickin'", com sobras de gravação dos anos 1990, e, no ano seguinte, voltou aos palcos para poucos shows, em busca de recursos financeiros. Fats Domino teve 13 filhos.

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