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Após vitória, Macri defende reformas e celebra crescimento da Argentina

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SYLVIA COLOMBO

BUENOS AIRES, ARGENTINA (FOLHAPRESS) - Mauricio Macri surgiu para a entrevista coletiva marcada para esta manhã, às 9h (10h em Brasília), na Casa Rosada, sede do governo argentino, com um sorriso no rosto e olheiras pronunciadas, que indicavam as poucas horas de sono desde o fim da contagem de votos, durante a madrugada desta segunda-feira (23), até então.

A vitória de sua aliança, Mudemos, nas eleições legislativas do domingo (22) deixou o presidente argentino, nos dois anos que faltam para o fim de seu mandato, fortalecido e com mais facilidade para aprovar projetos de lei e reformas.

Este foi o assunto principal da entrevista. "A Argentina não precisa temer as reformas, porque elas representam a oportunidade de crescer", afirmou.

Explicou que os aumentos das tarifas de serviços públicos, que tiveram subsídios durante os 12 anos de kirchnerismo, continuarão ocorrendo, "eu nunca os enganei, sempre disse que eram necessários", e que serão realizados "da forma mais gradual possível".

Tratou, também, da reforma trabalhista que já está em curso, por meio de acordos feitos por setores da economia, mas que contemplam flexibilização em contratos de trabalho, entre outros itens.

"Nossa obsessão é criar empregos, formalizar os trabalhadores que estão no mercado informal [cerca de 30%], e por isso vamos seguir pactando as reformas com os distintos setores."

Celebrou, ainda, os números da economia, que nas últimas semanas vêm mostrando que há uma retomada do crescimento e um reaquecimento de alguns setores. Pediu que o Congresso aprove o mais rápido possível o orçamento do ano que vem, enviado em setembro, e que inclui um recorte gradual do déficit fiscal para o ano que vem.

VITÓRIA NAS PROVÍNCIAS

Apesar de ter aumentado o número de congressistas nas províncias mais importantes, como Córdoba, Santa Fe e Buenos Aires, e se expandido em territórios antes tradicionais do peronismo, como o Chaco e La Rioja, o Mudemos seguirá tendo de fazer alianças para aprovar leis.

O mapa do novo Congresso mostra a coalizão de Macri com a maior bancada, mas apenas enquanto o peronismo continue se apresentando de forma dividida, como está agora, em distintos blocos: Partido Justicialista, kirchneristas, Frente Renovador e outros menores. Caso se unam, o Mudemos passa a ser minoria.

"Foi uma grande batalha para Macri. A ex-presidente Cristina Kirchner obteve uma quantidade de votos insuficiente para ganhar, mas suficiente para continuar obstruindo a renovação do peronismo", diz o analista político Carlos Pagni.

De fato, apesar de ter entrado para o Senado em segundo lugar na província de Buenos Aires, Cristina foi a única entre os candidatos peronistas a ter mais votos no domingo (22) do que nas primárias, em agosto.

"Isso marcou uma derrota inesperada para Juan Manuel Urtubey (governador de Salta) e para Sergio Massa (ex-chefe de gabinete de Cristina), que se postulavam como candidatos de renovação e de reunificação do peronismo para uma possível disputa das eleições de 2019. Uma Cristina como rival é o melhor que poderia acontecer com Macri, porque garante que o peronismo continue fragmentado", disse à reportagem o cientista político Federico Finchelstein.

Para o estudioso, esta eleição marcou também o "teto" de eleitorado que Cristina ainda pode congregar. "É difícil com o quadro de hoje pensar que possa se postular e vencer em 2019. Mas a Argentina é muito volátil, e o cenário pode mudar. Temos de ver como será seu desempenho como senadora", concluiu.

CASO MALDONADO

Durante a sessão de perguntas, Macri foi indagado sobre o caso do artesão Santiago Maldonado , encontrado morto dois meses depois de participar de um protesto de indígenas mapuche reprimido pela Gendarmeria (polícia federal de fronteiras).

Disse que havia conversado com a família e que "entendia sua dor, porque vi como ficou minha mãe depois que morreu minha irmã", mas que não havia nada mais a fazer do que "esperar que a Justiça esclareça o que ocorreu".

Sobre a festa mais modesta de celebração da vitória, na noite de domingo, Macri disse não ter relação com o caso. "Nós festejamos como sempre e rápido, para logo voltarmos ao trabalho. É por isso que já estamos aqui."

Indagado sobre se a vitória o levava a sonhar com disputar a reeleição, em 2019, disse que "este é um assunto para pensar depois".

Já o mercado reagiu bem à vitória de Macri. O dólar caiu 16 centavos, para 17,13 pesos, e os papéis das empresas argentinas que cotizam na Wall Street tiveram aumentos entre 3% e 5%.

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