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Impacto de Trump é menor do que levam a crer seus tuítes, diz Al Gore

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GUILHERME GENESTRETI E LUCIANA COELHO

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - As cenas de enchentes, tempestades e furacões fazem parecer que se está diante de mais uma visão bíblica do fim do mundo segundo Darren Aronosfsky. Eis que alguém brada, com voz trovejante e indefectível sotaque sulista americano: "Será que fomos incapazes de ouvir o que gritava a mãe natureza?".

Não é mais um filme de Aronosfsky. É de Al Gore, o ex-vice-presidente americano que se reinventou como paladino ambientalista fez de "Uma Verdade Inconveniente" (2006) um documentário vencedor de dois Oscar e que agora volta com a sequência do filme, "Uma Verdade Mais Inconveniente", com sessões a partir desta segunda (23), na Mostra de SP.

"O mundo está nos estágios iniciais de uma revolução sustentável que tem a escala da revolução industrial e a velocidade da revolução digital", afirma Al Gore à Folha, por telefone. Ele atribui isso à queda de preços na eletricidade calcada em energia solar e eólica, que é um dos eixos do novo documentário.

Outro dos eixos são os bastidores da costura do Acordo de Paris sobre o clima -o mesmo do qual o republicano Donald Trump prometeu retirar os Estados Unidos.

"Fiquei preocupado, mas o impacto será bem menor do que parece", afirma Gore, citando que muitas empresas, cidades e Estados americanos ("importantes como a Califórnia") se comprometeram a respeitar o Acordo de Paris.

Além disso, ressalta, a retirada só valeria para após as próximas eleições americanas. "Ele está isolando a si próprio", diz o ex-vice-presidente, que define a atuação do governo Trump na área ecológica como "terrível, embora com menos danos que os seus tuítes levam a crer", graças ao contrapeso exercido pelo Congresso dos EUA.

"Terrível" também é como Al Gore define uma eventual decisão do presidente Michel Temer de extinguir a Renca, reserva amazônica entre o Pará e o Amapá, e cedê-la à exploração do setor mineral. Embora tenha revogado o decreto da extinção, o governo brasileiro afirma que o "assunto deve ser retomado".

"O destino da Amazônia está nas mãos do Brasil, mas já que você me pergunta, me oponho a uma decisão assim [de extinguir a reserva]", diz.

O filme mostra as questões ambientais tendo de dividir a atenção global com problemas como o terrorismo. "São temas psicologicamente conectados. Os jovens seriam menos afeitos à radicalização caso sentissem que os líderes lutam por um mundo ecologicamente justo para todos."

Em 2000, Gore perdeu as eleições presidenciais para George W. Bush porque, saiu derrotado no Colégio Eleitoral, embora tivesse amealhado mais votos populares.

O democrata ri quando perguntado sobre o que sentiu quando viu a mesma conjuntura levar o republicano Trump a derrotar Hillary, sua correligionária. "Devemos mudar esse sistema para que o vencedor seja aquele que tiver mais votos populares."

UMA VERDADE MAIS INCONVENIENTE

(An Inconvenient Sequel: Truth to Power)

DIREÇÃO Bonni Cohen, Jon Shenk

PRODUÇÃO EUA, 2017, livre

MOSTRA seg. (23), às 20h30, no Cinearte; ter. (24), às 20h30, no CineSesc; qua. (25), às 21h15, no Playarte Marabá; qui. (26), às 20h, no Espaço Itaú Frei Caneca; sex. (27), às 18h, no Cinesala

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