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ATUALIZADA - Aliança de Macri vence eleição argentina

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SYLVIA COLOMBO

BUENOS AIRES, ARGENTINA (FOLHAPRESS) - Dados preliminares de boca de urna divulgados pelo canal TN (pertencente ao Grupo Clarín) apontam para uma ampla vitória da coalizão governista Mudemos a nível nacional nas eleições legislativas deste domingo (22).

Na província de Buenos Aires, onde a competição para o Senado esteve mais acirrada, ainda segundo dados de boca de urna, o ex-ministro da Educação do presidente Mauricio Macri, Esteban Bullrich, estaria à frente, mas em empate técnico com a ex-presidente Cristina Kirchner.

A chefe do Executivo entre 2007 e 2015 passou a tarde em seu apartamento no bairro portenho da Recoleta e a única declaração que fez foi de que parabenizaria a líder das Avós da Praça de Maio, Estela de Carlotto, por seu aniversário.

Acrescentou que, mesmo que vença, "não é tempo de festa, desde terça estamos na expectativa de saber o que ocorreu com Santiago Maldonado" -em referência ao ativista cujo corpo foi encontrado nesta semana e identificado no sábado (21) após mais de dois meses desaparecido. Às 18h45 (19h45 de Brasília), a ex-presidente saiu rumo a seu "bunker" de campanha, no estádio do Arsenal de Sarandí, na região metropolitana de Buenos Aires.

Na capital, a boca de urna também aponta para uma vitória da ex-presidenciável Elisa Carrió, aliada chave de Macri, com ampla diferença em relação aos kirchneristas.

Segundo dados oficiais, 78% dos 33 milhões de eleitores foram às urnas para escolher os ocupantes de um terço das cadeiras do Senado (24 das 72 vagas) e pouco menos da metade da Câmara dos Deputados (127 das 257 vagas).

Macri votou por volta do meio-dia. Depois de almoçar com a família, passou a tarde em sua casa de campo e era esperado no "bunker" do Mudemos às 21h (22h de Brasília). Quando se aproximou dos jornalistas foi perguntado insistentemente sobre o caso Santiago Maldonado.

"Estou muito preocupado, e como todos os argentinos, quero saber a verdade. É hora de ter prudência e esperar que a perícia e a Justiça esclareçam de fato o que ocorreu."

Disse que havia conversado por telefone com a mãe do artesão, cujo corpo foi encontrado na última terça (17), no rio Chubut, na Patagônia, mas se recusou a comentar se a Gendarmeria (polícia de fronteiras) iria ser ou não responsabilizada por sua morte.

EXALTAÇÃO

O assunto Maldonado dominou o ambiente eleitoral e levantou os ânimos de ambos os lados. Ele desapareceu em 1º de agosto durante confronto entre os gendarmes e indígenas da etnia mapuche em um protesto em Esquel.

Do lado dos apoiadores do governo, houve declarações que colocaram em dúvida os relatos das testemunhas que viram Maldonado ser levado pelos gendarmes e levantaram a hipótese de que ele teria caído no rio para fugir dos agentes e se afogado sozinho.

O comentário mais polêmico foi o da jornalista Silvia Mercado, do Infobae, site alinhado ao governo, que soltou um post nas redes sociais dizendo: "uma enorme pena que ele tenha morrido. Enorme. Mas podia não ter ocorrido se ele não estivesse bloqueando estradas no protesto, que é um delito federal".

As declarações indignaram oposicionistas a Macri. "Como uma jornalista, uma formadora de opinião, pode dizer algo assim tão grave num momento tão sensível?", declarou o ex-candidato a presidente e líder da Frente de Esquerda, Nicolás Del Caño.

"Eu vivi o que essa família está vivendo e espero que a verdade surja rápido. Não acredito que, tantos anos depois, tenhamos que seguir pedindo ´Nunca Mais´ para que não ocorra mais violência política na Argentina", disse a presidente das Avós da Praça de Maio, Estela de Carlotto, em referência à frase dos protestos pelo retorno dos desaparecidos na última ditadura militar (1976-1983).

Já a ministra de Segurança, Patricia Bullrich, chefe da Gendarmeria, foi recebida em sua seção eleitoral por manifestantes usando máscaras com o rosto de Maldonado. Ela não quis dar declarações.

O chefe de gabinete de Macri, Marcos Peña disse que o governo está "comprometido com a busca pela verdade" e pediu calma."Estamos mais perto da verdade do que estávamos há uma semana e quanto menos espaço dermos à especulação, melhor será."

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