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Jovem baleado em Goiás deixa hospital e diz não saber se voltará para a escola

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CLEOMAR ALMEIDA

GOIÂNIA, GO (FOLHAPRESS) - "Não sei se vou voltar a estudar na escola", disse o estudante de 13 anos que, neste domingo (22), recebeu alta do Hospital de Urgências de Goiânia, onde ficou internado após ser baleado por um colega de turma dentro da sala de aula, na sexta-feira (20).

O sobrevivente está com o projétil de uma bala alojado em uma das vértebras, o que, conforme contou a mãe dele, não deve ocasionar prejuízos no futuro. "Os médicos disseram que seria mais arriscado se tentassem retirar o projétil", afirmou ela.

Ainda segundo a mãe, os médicos disseram que o projétil da bala quase atingiu uma região que, se lesionada, poderia ter deixado o seu filho paraplégico. "Eles disseram que faltaram seis milímetros para atingir. Foi um milagre", alegrou-se.

A indefinição do garoto e de sua família sobre o futuro dele na escola particular Goyases depende de como ele vai lidar com as lembranças do episódio com o passar dos dias. "É muito ruim saber que vou voltar para uma sala onde dois colegas morreram", lamentou ele.

O garoto contou à reportagem que, após receber o tiro, entrou em pânico. "Eu também pensei que não voltaria a andar mais. Quando levei o tiro, caí no chão e a minha perna ficou formigando. Não dava conta de levantar. Alguns colegas passaram em cima de mim na hora do desespero", relatou.

O adolescente disse que foi o segundo a ser baleado. "Primeiro ele (atirador) atirou no João Pedro Calembo. Depois em mim e nas três meninas que ainda estão internadas. Por último, ele atirou no João Vitor Gomes", afirmou. Os dois alunos que morreram tinham 13 anos e foram enterrados neste sábado (21).

Por recomendação médica, o sobrevivente terá de usar um colete para auxiliar no tratamento por 60 dias. Ele agradeceu muito a Deus por não ter morrido e se reuniu em uma confraternização com familiares, na casa do pai dele, na tarde deste domingo. Todos se solidarizaram com as famílias e demais vítimas.

Duas alunas ainda estão internadas no Hospital de Urgências de Goiânia. O estado de saúde de uma delas é grave. Ela respira com auxílio de aparelhos e corre o risco de ficar paraplégica, segundo a família. Outra também respira com ajuda de aparelhos, mas já se alimenta normalmente. A terceira está internada no Hospital de Acidentados, também na capital, mas não há informação sobre a situação dela.

Decisão provisória da Justiça já ordenou a internação, pelo prazo de 45 dias, do adolescente que assumiu a autoria dos disparos. O pai dele é major da PM e a mãe tem patente de sargento. Eles estão preocupados com a segurança do filho.

A advogada da família do atirador, Rosângela Magalhães, não atendeu às ligações da reportagem nem respondeu às mensagens enviadas para o Whatsapp dela.

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