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Argentinos vão às urnas para renovar parte da Câmara e do Senado

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SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Os argentinos vão às urnas neste domingo (22) para renovar metade da Câmara dos Deputados e um terço do Senado. As eleições legislativas são consideradas um termômetro para medir a popularidade do presidente Mauricio Macri que, em dezembro, completa metade de seu mandato, e da ex-presidente Cristina Kirchner, sua antecessora e principal rival politica. As informações são da Agência Brasil.

Segundo as pesquisas de opinião, a frente Cambiemos (Mudemos) de Macri —que desde 2015 governa o país com minoria no Congresso— não conseguirá maioria parlamentar. Ainda assim, se as previsões forem confirmadas, ele deve aumentar sua base de apoio e suas chances de disputar a reeleição em 2019.

Mas Macri também terá que enfrentar uma oposição forte. Tudo indica que, apesar de estar sendo processada pela Justiça por corrupção e “traição à pátria”, Cristina Kirchner será eleita senadora pela Unidad Ciudadana (Unidade Cidadã), uma dissidência do Partido Justicialista (Peronista) que ela transformou em partido para se candidatar.

Até quinta-feira (19) o palco de disputa eleitoral entre macristas e cristinistas era a província de Buenos Aires, que representa 37% do eleitorado. Mas a descoberta de um corpo, num rio da Patagônia argentina, antecipou o fim da campanha eleitoral. Governistas e opositores suspenderam os comícios, enquanto o país aguardava para saber se o afogado era Santiago Maldonado, um artesão de 28 anos, desaparecido há oitenta dias. Segundo testemunhas, ele foi visto, pela ultima vez, sendo arrastado pela Polícia Militar, que reprimiu um protesto dos índios Mapuche.

Durante quase três meses, a família do artesão, movimentos sociais de esquerda e organizações de Direitos Humanos realizaram manifestações e campanhas pelas redes sociais, cobrando do governo a “aparição com vida” de Santiago Maldonado, que passaram a chamar de “desaparecido da democracia” argentina.

Na Argentina, onde a população até hoje exige Justiça pelos 30 mil desaparecidos da ditadura (1976-1983), o caso ganhou dimensão nacional e internacional, colocando o governo na defensiva. Até mesmo o líder da banda U-2, Bono, perguntou por Santiago Maldonado, em um encontro com o presidente Macri, após show da banda na Argentina. “Falamos de Santiago Maldonado e senti que o presidente esta levando o caso a sério. Como membro da [organização de Direitos Humanos] Anistia Internacional fiquei muito contente”, disse Bono.

No sábado (21), véspera da eleição, o corpo achado boiando no Rio Chubut foi identificado como sendo de Santiago Maldonado. Segundo os peritos, que realizaram a autopsia em Buenos Aires, não há sinais de golpes ou ferimentos e ele pode ter morrido afogado. Mas a família divulgou um comunicado afirmando que considera a Gendarmeria (Polícia Militar de fronteira) “responsável por sua morte” e prometendo “continuar investigando".

DESAFIOS

Segundo o analista político Roberto Bacman, o caso Maldonado — apesar de ter provocado certo desgaste político e ter sido motivo de mais uma manifestação no sábado (21)— não deve impactar nos resultados de hoje. “Para Macri, uma boa eleição, mesmo sem conseguir maioria no Congresso, representa um voto de confiança dos argentinos na sua capacidade de cumprir as promessas de campanha”, disse Bacman à Agência Brasil. “Mas o maior desafio dele, nessa segunda metade do mandato, será a economia”.

Na campanha para presidente, Macri prometeu baixar a inflação de dois dígitos que herdou de Cristina Kirchner. “Mas o custo de vida aumentou 40% no governo dele e deve superar 25% este ano”, lembrou Bacman. “E a inflação pode voltar a subir, se houver um novo reajuste de tarifas publicas, como tudo indica”.

A seu favor Macri tem a retomada do crescimento econômico, após três anos de recessão e a rejeição de 40% do eleitorado à Cristina Kirchner, que ocupou a residência presidencial de Olivos durante doze anos. Ela morou lá durante quatro anos como primeira-dama e outros oito como sucessora de marido, o ex-presidente Nestor Kircher.

O desafio da ex-presidente, segundo Bacman, vai ser unir os peronistas, que hoje estão divididos em três facções, dando ao governo de Macri mais uma vantagem.

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