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OMS causa choque ao nomear líder do Zimbábue embaixador da boa vontade

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SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Entidades de direitos humanos e governos dos EUA e da Europa condenaram neste sábado (21) a decisão da OMS (Organização Mundial da Saúde) de nomear o ditador do Zimbábue, Robert Mugabe , "embaixador da boa vontade".

O anúncio foi feito nesta semana pelo secretário-geral, o etíope Tedros Ghebreyesus, em cúpula no Uruguai. Ele disse na ocasião que Mugabe poderia usar sua liderança para influenciar outros países a melhorarem seus sistemas de saúde.

Também descreveu o regime como um "que coloca a cobertura de saúde universal e a promoção da saúde no centro de suas políticas". O sistema médico no Zimbábue, porém, piorou drasticamente com a crise iniciada nos anos 2000.

Parte das irregularidades foi revelada em relatório da ONG Médicos pelos Direitos Humanos de 2008. A entidade afirmava que as políticas do regime levaram ao fechamento de hospitais, clínicas e faculdades de medicina e que as autoridades maltratavam seus funcionários.

O ditador também é criticado internamente por fazer seus tratamentos no exterior —os últimos foram em Cingapura. Ele é alvo de sanções dos EUA desde 2003 por violações de direitos humanos e fraude eleitoral e não pode viajar ao país.

O governo americano foi um dos críticos à nomeação. "A indicação claramente contradiz os ideais da ONU de respeito aos direitos humanos e à dignidade humana", declarou, em comunicado neste sábado, o Departamento de Estado.

As autoridades do Canadá, da Irlanda e do Reino Unido também condenaram a medida. O diretor da ONG Welcome Trust, Jeremy Farrar, disse que Mugabe "não cumpre nenhum dos valores" que são esperados pela organização da ONU.

Diante da pressão internacional, Ghebreyesus anunciou que fará um comunicado em breve sobre a controvérsia. "Eu estou ouvindo. Eu ouvi suas preocupações. Estou repensando a situação conforme os valores da OMS", disse.

As indicações para embaixadores de organizações das Nações Unidas não têm um critério, mas normalmente são feitas a líderes e celebridades envolvidas nos temas homenageados, como a atriz Angelina Jolie em relação aos refugiados.

Elas, porém, podem ser revertidas. Foi o caso da decisão da ONU de pôr a personagem Mulher Maravilha como embaixadora do empoderamento de mulheres e meninas, cancelada após críticos considerarem uma apologia à violência e uma má influência.

Um dos chefes de Estado mais longevos do mundo, Robert Mugabe controla o Zimbábue desde 1980, inicialmente como primeiro-ministro e depois como ditador, e é acusado de violações de direitos humanos e repressão à oposição.

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