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Liderado por "Trump tcheco", partido anti-imigração vence eleição legislativa

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SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Um partido anti-imigração e contrário à União Europeia (UE) liderado por um bilionário comparado a Donald Trump venceu as eleições legislativas na República Tcheca e poderá dar à Europa um novo governo de direita nacionalista.

Segundo os resultados oficiais do pleito, encerrado neste sábado (21), o ANO (Sim, em tcheco) obteve 29,7% dos votos e terá 78 das 200 cadeiras do Parlamento, dando a seu presidente, Andrej Babis, 63, o direito de tentar formar governo.

A vitória veio depois de uma campanha cujos focos foram o combate à corrupção e a oposição às cotas de acolhimento de refugiados e outras medidas ordenadas pela UE, que seus militantes veem como uma limitação à soberania nacional.

Embora tenha feito parte do atual governo social-democrata, o ANO deve formar coalizão com os partidos que o seguiram entre os mais votados e tiveram os mesmos temas como bandeira, embora com propostas mais radicais.

O segundo foi o Partido Cívico Democrático (ODS, centro-direita), com 11,3%. Na sequência veio o Partido Pirata, contrário à política tradicional, com 10,8%, e em quarto o ultradireitista Liberdade e Democracia Direta (SPD), com 10,7%.

O último chegou a sugerir que os tchecos passeassem com porcos em frente às mesquitas e parassem de comer kebabs em reação à migração de muçulmanos e quer a saída da UE, que acusa de impor "um superestado multicultural".

"Nós queremos parar qualquer islamização da República Tcheca e tolerância zero para a imigração", disse, após o anúncio do resultado eleitoral, o líder do partido, Tomio Okamura, filho de pai japonês e mãe tcheca.

Babis, no entanto, negou em entrevista à agência de notícias Reuters que possa formar coalizão com partidos de extrema-direita, assim como os comunistas.

'TRUMP TCHECO'

Babis é fundador do conglomerado Agrofert, que atua em setores como agroindústria, construção civil, indústria química e imprensa avaliada em US$ 4,6 bilhões (R$ 14,5 bilhões) -para se candidatar, entregou o comando aos filhos.

Embora não seja partidário da saída da República Tcheca da UE, quer limitar a relação com o bloco. "Os Estados devem ser dirigidos pelos presidentes e premiês, não por [Jean-Claude] Juncker [presidente da Comissão Europeia], disse.

"Não queremos vagas nem migrantes aqui, queremos frear a imigração e ter, por fim, um premiê que diga à [chanceler alemã, Angela] Merkel e ao [presidente francês, Emmanuel] Macron que a solução está fora da Europa."

Apesar da defesa do combate à corrupção, o empresário é processado por fraude com fundos da União Europeia e acusado de colaborar com a polícia secreta do regime comunista da antiga Tchecoslováquia, antes da separação, em 1993.

Com um governo eurocético e anti-imigração, a República Tcheca deverá reforçar sua retórica entre os países críticos à UE, como Eslováquia, Hungria, Polônia e possivelmente Áustria , onde a ultradireita pode fazer parte de um novo governo.

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