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ATUALIZADA - Trump impõe exigências para acordo nuclear com Irã

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ISABEL FLECK

WASHINGTON, EUA (FOLHAPRESS) - Após uma batalha dentro do governo para definir o futuro do acordo sobre o programa nuclear do Irã, o presidente Donald Trump anunciou nesta sexta (13) que não reconhecerá o cumprimento dos compromissos por Teerã, jogando para o Congresso a responsabilidade de manter vivo o tratado.

O que Trump quer é que os parlamentares aprovem mudanças no ato de revisão do acordo, estabelecendo novas exigências ao Irã, cujo descumprimento seria um "gatilho" para a retomada imediata das sanções.

"No caso de não sermos capazes de alcançar solução com o Congresso e nossos aliados, então o acordo será extinto", disse o presidente.

Segundo ele, o regime iraniano cometeu "múltiplas violações" ao acordo assinado em 2015 entre Teerã e o grupo de países conhecido como P5+1 (EUA, Reino Unido, França, Rússia, China e Alemanha). O país teria, por exemplo, "intimidado" inspetores internacionais a fazer vistoria menos abrangente do que o fixado no acordo.

No último mês, contudo, o comandante do Estado-Maior das Forças Armadas, general Joseph Dunford, havia dito que o Irã estava cumprindo sua parte no tratado. Os secretários de Estado, Rex Tillerson, e de Defesa, Jim Mattis, defendiam que os limites estabelecidos pelo acordo atendiam aos interesses da segurança nacional dos EUA.

Pressões internas e externas contribuíram para que Trump não tomasse uma decisão mais extrema contra o que chamou de "pior e mais desequilibrada transação da qual os EUA já fizeram parte".

Agora, o Congresso tem três opções: não fazer nada —o que Trump anunciou que fará com que ele aja de forma unilateral—, retomar as sanções ou tentar aprovar as novas exigências, como sugerido pelo presidente.

Entre os "gatilhos" considerados pela Casa Branca estão o eventual prosseguimento dos lançamentos de mísseis balísticos pelo Irã e a possível conclusão, pela inteligência americana, de que o país pode produzir uma arma nuclear em menos de um ano.

Outro ponto que Trump quer ver contemplado é a revisão da cláusula que prevê que, a partir do oitavo ano do acordo (2024), as restrições ao programa nuclear do Irã comecem a ser retiradas, até o tratado completar 15 anos.

"Não vamos continuar no caminho cuja conclusão previsível é mais violência, mais terror e a ameaça muito real do sucesso nuclear do Irã", disse o presidente.

Aprovar uma nova legislação sobre o acordo iria exigir 60 votos no Senado, o que significa que os republicanos precisarão de pelo menos oito votos democratas.

Em teleconferência com jornalistas, Tillerson reconheceu que a tarefa não será fácil e que Trump "não está particularmente otimista".

"Podemos ter sucesso, mas podemos não conseguir consertá-lo e acabar fora do acordo. Mas acho que, melhor do que apenas sair, ele está dizendo 'vou tentar mudar o que acho deficiente no acordo", afirmou o secretário.

A decisão de Trump foi recebida com apreensão pelos parceiros europeus no acordo. Em nota conjunta, a primeira-ministra britânica,Theresa May, a chanceler alemã, Angela Merkel, e o presidente francês, Emmanuel Macron, reforçaram seu compromisso com o tratado e instaram o governo e o Congresso americanos a "considerar as implicações para a segurança dos EUA e de seus aliados antes de tomar qualquer decisão que possa minar" o texto.

O presidente iraniano, Hassan Rowhani, disse que o acordo nuclear é "muito mais forte" do que o que Trump sugere e que seu país "continuará respeitando-o", mas que pode mudar de ideia.

Israel e Arábia Saudita, que veem no Irã um inimigo e uma ameaça celebraram o anúncio. O premiê israelense, Binyamin Netanyahu, disse que a decisão cria "uma oportunidade para consertar esse acordo ruim".

O anúncio sobre o acordo fez parte de um pronunciamento sobre a nova política do governo Trump, que "tem como foco neutralizar a influência desestabilizadora do governo do Irã e frear sua agressão, particularmente seu apoio ao terrorismo".

Trump também disse que vai impor sanções à Guarda Revolucionária Iraniana por apoiar o terrorismo. Segundo o Departamento do Tesouro, a unidade militar apoia a força expedicionária Quds, atividades do Hizbullah e do Hamas e o regime do ditador sírio Bashar al-Assad.

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