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No Dia Mundial Sem Carro, bicicleta é destacada como alternativa viável de transporte urbano

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Em Arapongas, a bicicleta é um veículo usado tradicionalmente por muitas pessoas - Foto: Divulgação
Em Arapongas, a bicicleta é um veículo usado tradicionalmente por muitas pessoas - Foto: Divulgação

O “Dia Mundial Sem Carro”, ação internacional que ocorre sempre no dia 22 de setembro, tem por objetivo estimular a reflexão sobre o uso exagerado do automóvel, além de propor às pessoas acostumadas a dirigir todos os dias, que repensem a dependência que têm dos veículos. Apesar de prático, eficiente e cômodo, o automóvel particular é um meio de transporte de custo elevado: na conta entram impostos, combustível, estacionamento, seguro e custos de manutenção.

O carro também prejudica a saúde (por contribuir para o sedentarismo), o estresse e a intoxicação, conforme a Organização Mundial da Saúde. Cerca de 3 milhões de mortes por ano podem ter como causa a exposição à poluição.

O uso demasiado dos carros particulares provoca ainda congestionamentos, o que prejudica a produtividade e promove desgaste, como ocorre diariamente na áreas centrais de Apucarana, Arapongas e tantas outras cidades do Paraná e do Brasil. 

Essas são as razões levantadas pelo movimento que propõe o Dia Mundial Sem Carro, celebrado há pelo menos 20 anos, em crescente número de cidades do mundo. A data, criada na França em 1997, incentiva o uso de meios alternativos de transporte e medidas de apoio para seus usuários, transporte público de qualidade, carona solidária e ciclovias.

Ao contrário do carro, a bicicleta é um meio econômico, limpo, saudável, prático, integrativo, silencioso e rápido para pequenos deslocamentos. Entretanto, ainda enfrenta desafios para se consolidar como alternativa viável de transporte nos centros urbanos do Brasil. De acordo com levantamento feito pelo portal Mobilize, o país conta com pouco mais de 2,5 mil quilômetros de vias cicloviárias, entre ciclovias e ciclofaixas. É uma parcela pequena, diante da malha rodoviária do país, de cerca de 1,7 milhão de quilômetros.

As ciclovias, mesmo sendo poucas, têm conquistado novos adeptos. Desde 2015, o publicitário Allan Alves, de 30 anos, trocou as estradas pelas ciclovias. A mudança começou por uma questão financeira. “Fiz os cálculos e vi que era muito mais econômico não ter carro do que ter. E quando percebi que em dias que não usasse a bicicleta tinha estrutura na cidade como a bike compartilhada, ônibus e aplicativo de transporte, resolvi de vez abolir o trânsito”, conta o publicitário.

Na opinião do professor Pastor Willy Gonzales Taco, especialista em mobilidade urbana da Universidade de Brasília, apesar da vantagem financeira e do bem-estar, é preciso ter muita força de vontade para abandonar de vez o veículo no Brasil.

“É uma questão cultural, conceitual e econômica. O Brasil tem apostado muito nas rodovias e na indústria automobilística como condutores da economia. Por outro lado, a promoção do uso de modos alternativos, como a bicicleta, o próprio andar a pé, as tecnologias estão só aos poucos sendo vistas. Leis, como as que protegem os pedestres, ainda estão surgindo de forma tímida. Falta vontade política”, critica.

Segundo Pastor, não há medidas de incentivo aos usuários dos meios alternativos de locomoção como em outros países: “Não há gestão e investimento em infraestrutura. Não há nenhum tipo de incentivo como redução de impostos para quem compartilha seu carro ou premiação para os usuários mais assíduos de aplicativos de caminhadas, viagens de bicicleta ou transportes públicos. Não há promoção de novas tecnologias para complementar o uso dos mesmos, como informação ao usuário, horários, atendimento, qualidade do serviço. Não há sistemas integrados para unir as várias possibilidades de mobilidade urbana”.

O professor Pastor cita exemplos de soluções simples e de baixo custo, como estímulos de empresas com benefícios para funcionários que decidam ir de bicicleta, a pé, de ônibus ou metrô, de esquemas de caronas. Há aplicativos que promovem o aluguel de carros por tempo; de corridas compartilhadas.

O especialista elogia movimentos como o do Dia Mundial Sem Carro, mas diz que ações pontuais como essa são importantes para celebrar e dar visibilidade à causa, mas deveria ser uma atitude contínua. "É muito tímido um dia, quando se tem 365 para promover a mobilidade ativa”.“Soluções existem em todo lugar. O mundo está cheio delas. Muitas são criadas aqui mesmo, como o BRT de Curitiba (PR): uma invenção brasileira, da década de 70, mas que só está sendo implementada agora, 40 anos depois. Depois que outras cidades do mundo já fizeram”, ressaltou.

Exemplos de ações continuadas são os grupos de ciclistas que se reúnem diariamente ou semanalmente para promover passeios urbanos, como acontece em Apucarana e Arapongas (norte do Paraná). Além de ser um incentivo para quem ainda está se adaptando, a parceria de outros praticantes traz segurança e colabora para a manutenção do hábito saudável.

Apucarana: topografia não favorece, avalia superintendente de trânsito
O superintendente de trânsito da prefeitura de Apucarana, Silnei Bolnheze, afirma que seria interessante a implantação de ciclovias na cidade, mas observa, no entanto, que a topografia não é favorável em algumas regiões do perímetro urbano. 

"Apucarana é uma cidade muito acidentada em termos de relevo e acho que por conta disso muitas pessoas não optam pelas bicicletas. Arapongas, que é mais plana, deve dez vezes mais bicicletas. Mas considero que seria bom ter ciclovias para desafogar o trânsito, principalmente na área central, pois essa é uma tendência mundial que deve ser seguida, pois a bicicleta, além de ajudar a desafogar o trânsito, faz bem para a mente, o corpo e também para o bolso", afirma Bolonhezi.

Tradição em Arapongas
Em Arapongas, a bicicleta é um veículo usado tradicionalmente por muitas pessoas por conta da característica plana das ruas. E ficou ainda mais fácil pedalar na cidade após a criação da ciclovia e da ciclofaixa. Desta forma, muitas pessoas acabam elegendo a bicicleta como principal meio de transporte.

A diarista Sônia Maria de Oliveira, 51 anos, optou pela boa e velha "magrela" e há 35 anos faz suas pedaladas diárias . Ela destaca que além de ser prática, também consegue se exercitar durante o trajeto.

Mas apesar dos benefícios e da criação de áreas específicas para tráfego de cilistas, Sônia reclama que ainda falta educação no trânsito por parte dos motoristas que não respeitam os condutores de bicicletas. “Certa vez eu estava indo trabalhar  e um motociclista seguia logo atrás quase passou por cima de mim”, relata.

Ainda segundo Sônia, situações semelhantes  acontecem inclusive nas ciclo-faixas,  espaços demarcados nas vias, especialmente para a o trânsito de bicicletas. “Os motociclistas invadem, eles são muito mal educados, não respeitam a gente não”, afirma.

Os ciclistas sugerem que, para mudar a postura dos motoristas é preciso desenvolver campanhas educativas no trânsito e nas escolas. A vendedora Loreci Alves, 25 anos, que também é ciclista aposta na expressão “não faça com o outro aquilo que não gostaria que fizessem com você”.

“A experiência traz até uma percepção de trânsito diferente, porque quando andamos de carro, nem percebemos o outro lado das pessoas que andam tanto a pé quanto de bicicleta”, assinala.

Entenda a diferença entre ciclovia e ciclofaixa
Em Arapongas a ciclovia fica às margens da BR-369 e liga os principais parques industriais da cidade. A alternativa de usá-la é muito viável. Sem ter que dividir o espaço com motos, carros e outros automóveis, o ciclista conseguirá finalizar o seu percurso bem mais rápido. 

Além disso, a ciclovia conta apenas com poucas travessas durante todo seu comprimento, o que não interfere também nos cruzamentos das vias e rende tempo ao usuário. 

Já ciclofaixa caracteriza o trecho com sinalização horizontal demarcada na rua, sempre ao lado direito.

Dicas de segurança para ciclistas
Atenção – Observe sinalização como todos os motoristas. No trânsito somos todos iguais. Semáforos, quebra-molas, faixas de pedestres e preferencias devem sempre ser respeitadas.

Cuidado com a roupa – Use sempre peças confortáveis e que ofereçam mobilidade. Uma roupa que trave os movimentos também pode acabar atrapalhando e causar algum acidente.

Atento ao relógio – A pressa é inimiga da perfeição. Organize os seus horários e saia de casa com antecedência. Na correria nunca conseguimos prestar atenção em tudo. E no trânsito, detalhe que passe despercebido pode ser fatal.

Clima – Preste atenção na meteorologia. Se programe ao sair de casa. É possível que o tempo varie ao longo do dia, e para escapar de qualquer imprevisto é sempre bom estar preparado. Capa de chuva, roupa reserva, óculos de sol e filtro solar são fundamentais nesses casos.

Segurança – Luvas e capacetes são acessórios indispensáveis. As luvas garantem firmeza ao ciclista e o capacete o protege de possíveis quedas.


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