Mais lidas
Cotidiano

Conheça o kefir e seus múltiplos benefícios 

.

Cabeleireira Camila da Costa Demisque, de Apucarana, sente na pele os benefícios do kefir há quase um ano (Sérgio Rodrigo)
Cabeleireira Camila da Costa Demisque, de Apucarana, sente na pele os benefícios do kefir há quase um ano (Sérgio Rodrigo)

Em janeiro deste ano, aos 36 anos, a cabeleireira Camila da Costa Demisque, de Apucarana, decidiu diminuir o consumo de produtos industrializados. Além do desejo de colocar um cardápio mais saudável à mesa para a família, ela estava pesquisando também meios para melhorar a imunidade, em especial da filha Luiza, de 8 anos, que tem uma leve intolerância à lactose. “Foi essa vontade de melhorar a alimentação da minha família que trouxe o kefir para dentro de casa”, revela.

Atualmente, o kefir ou, se preferir, quefir está presente em várias refeições da família, que já sente os benefícios dos microrganismos. “Esse ano, a Luiza não teve gripe. Antes, todo inverno tinha um episódio ou outro de gripe. Percebi também que a minha imunidade e do meu marido (Sérgio Demisque Júnior, 35 anos) melhorou. Ele tinha de duas a três crises de rinite por semana. Agora, tem uma crise a cada dez dias”, afirma.

Já Camila garante que sente na pele os benefícios do kefir, que está presente no iogurte feito com frutas secas, patês, molhos, bolos, pudins, sucos, entre outros pratos. “Meu intestino passou a funcionar melhor e também senti diferença na minha pele. Além disso, senti que a minha disposição aumentou”, comenta.

Camila garante que, mesmo com a correria do dia a dia, é possível substituir uma série de produtos industrializados. O segredo está na organização. “Faço preparações em grandes quantidades. Agora, se eu não tiver tempo, congelo as mudas de kefir e, quando passa a correria, descongelo e volto a produzir iogurtes e outras iguarias com os grãos”, sublinha.

Para fazer o iogurte, ela explica que deixa, em média, o leite fermentando 24 horas no armário. Mas, por causa da intolerância à lactose da filha, deixa mais 24 horas na geladeira.  “Uso sempre leite integral ou desnatado de pacote ou direto do produtor, porque o grão não desenvolve no leite de caixinha. Esse tempo a mais na geladeira é essencial para tornar o iogurte em zero lactose, porque o kefir consome a lactose do leite”, explica.

Além do kefir de leite, Camila também tem os grãos de água, que são fermentados em açúcar mascavo, melado orgânico ou rapadura. Após a fermentação, a água é usada para fazer sucos e chás.

Nessa história, nada é desperdiçado. Do kefir de leite, durante o processo de filtragem, ela separa o soro e usa no preparo de legumes e do arroz. Atualmente, além de preparar inúmeros pratos para a família, ela também repassa o que sabe para outras pessoas. “Comecei a entrar em grupos que lidam com esses grãos, tanto o de leite quanto de água, e hoje já sou uma doadora apta”, sublinha.

Neste período, ela já doou mudas de kefir para seis pessoas. “É como se fosse uma rede. Não pode ser vendido. É algo como se fosse de mãe para filho”, diz.


Bactérias do bem
A nutricionista Natália Brandão, de Apucarana, observa que o interesse pelo kefir, que é um probiótico (organismo vivo que, quando administrados em quantidades adequadas, confere benefício à saúde do hospedeiro), tem aumentado nos últimos anos. O motivo é a divulgação maior dos benefícios à saúde. “Trata-se de um leite fermentado por algumas horas com grãos de kefir, que por sua vez, são ricos em uma variada flora de micro-organismos benéficos”, diz.

De acordo com a especialista, por se tratar de um alimento probiótico, qualquer pessoa pode se beneficiar do seu consumo, desde crianças acima de 2 anos até idosos. No entanto, existem controvérsias quanto ao seu uso por pessoas com imunidade extremamente baixa, como os indivíduos com doenças hematológicas e em quimioterapia, por exemplo. “A quantidade também deve ser bem orientada, pois o excesso poderá trazer desconforto intestinal”, frisa.

Natália argumenta que, entre os benefícios do kefir, está um intestino saudável, absorção melhor dos nutrientes, além de auxiliar no controle de algumas enfermidades, como enxaqueca e distúrbios gastrointestinais. “Com o advento dos conhecimentos dos probióticos à saúde, descobriu-se que o kefir poderia ser uma forma de ter contato adequado com bactérias benéficas à saúde de uma forma mais eficaz e barata”, diz.

A nutricionista esclarece que existem dois tipos de kefir, o de leite e o de água. “Na verdade, o grão é o mesmo, apenas a forma de cultivo que difere. O cultivo em água com açúcar mascavo, altera a composição”, sublinha.


Cuidados na manipulação

A nutricionista Natália Brandão, de Apucarana, observa que alguns cuidados devem ser tomados no cultivo. “Não se deve fazer uma produção em massa, pois como se trata de um organismo vivo, o kefir não iria resistir até o consumo. Por isso, existe a prática de doação. Deve-se evitar a manipulação dele com objetos metálicos, pois se acredita que ocorra uma possível reação do ácido da fermentação com os metais”, diz.

Outro cuidado também é com a temperatura, alerta a profissional. Manter em ambientes com temperatura ambiente controlada (evitando extremos) e pouca luz. A higiene do manipulador também é essencial.

Natália lembra que o kefir já é usado na Europa Central há muitos séculos, mas no Brasil apenas a partir do século passado as pessoas passaram a conhecer suas propriedades.

×

Newsletter

Conteúdo direto para você:

Quero Receber