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Aumento nos número de casos de suicídios preocupa setor de saúde pública

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Suicídio é considerado problema de saúde pública - Foto - Pixabay - Imagem ilustrativa
Suicídio é considerado problema de saúde pública - Foto - Pixabay - Imagem ilustrativa

A cor amarela tem iluminado monumentos em todo Brasil neste mês com o intuito de chamar a atenção para uma causa de morte ainda considerada tabu, o suicídio. O Movimento Setembro Amarelo, iniciado em 2015 pelo Centro de Valorização da Vida (CVV) no País, alerta que o suicídio é problema de saúde pública. Por dia, 32 brasileiros colocam fim à própria vida, número superior às vítimas de Aids e da maioria dos tipos de câncer. Na região de Apucarana (norte do Paraná), houve um aumento de 25% de óbitos em comparação ao mesmo período do ano passado (janeiro a agosto).

Segundo levantamento da 16º Regional de Saúde (RS), feito a pedido da Tribuna do Norte, de janeiro a agosto, de 2016, foram 19 casos de suicídio. Neste ano, no mesmo período de oito meses, foram 24 mortes. Em todo ano passado, 35 pessoas morreram desta forma. A quatro meses para encerrar o ano, as situações já representam 68% de todas as ocorrências de 2016.Neste ano, dos óbitos, 19 são de homens e 5 de mulheres. 

Os registros ocorreram em Apucarana (7), Arapongas (6), Califórnia (2), Faxinal (1), Grandes Rios (1), Jandaia do Sul (4) e Mauá da Serra (3). Em 2016, 12 municípios, dos 16 na área de abrangência da Regional de Saúde, registraram pelo menos um caso. Das 35 vítimas, 33 eram homens e duas mulheres.O que chama a atenção, além dos números, é um estudo da Organização Mundial da Saúde (OMS) que revela que de cada dez casos, nove poderiam ser prevenidos. É justamente essa a mensagem de alerta da campanha Setembro Amarelo: é possível prevenir o suicídio

A coordenadora do departamento de Saúde Mental, da 16ª RS, psicóloga Ângela Maria Maioli Blanski, avalia que o ato de atentar contra a própria vida é baseado num momento, ou seja, a reinterpretação dessa situação possibilita uma outra tomada de decisão. De acordo com a coordenadora, vários fatores vão interferir na tomada de atentar contra a própria vida, mas alguns são mais comuns como transtornos relacionados à depressão e à drogadição. 

Momentos de maior fragilidade emocional, provocados de perdas de pessoas próximas, separação, desemprego, também pedem atenção especial. Casos de abusos emocional, físico e sexual, por gerarem grande sofrimento, também podem desencadear pensamentos suicidas, alerta a profissional.Além disso, a psicóloga observa que o isolamento social, aliado à solidão tão presente na sociedade atual, é outro sinal de alerta. “Parece que quase ninguém tem mais tempo para conversar. Por isso, é importante ouvir o outro. A pessoa que comete suicídio está num momento de desesperança muito grande”, diz. 

Psicóloga afirma que o suicídio é evitávelFoto - Pixabay - Imagem ilustrativa

Evitável
Porém, Ângela argumenta que o suicídio é evitável. “Na maioria dos casos, antes do ato, a pessoa já sinalizou com algumas frases, publicações nas redes sociais e com mudanças no comportamento, que tendem a ser mais impulsivos”, comenta. Como exemplo, passar a dirigir mais perigosamente, entre outras situações que colocam a vida em risco.Além desses comportamentos, a psicóloga orienta a ficar atento a pesquisas sobre métodos letais contra a própria vida. 

“Então, ao perceber esses sinais, converse com essa pessoa, pergunte o que está acontecendo, informe aos familiares, encaminhe para ajuda médica especializada”, aconselha, observando que é essencial agir, e nunca ignorar.

Família precisa de tratamento
A coordenadora da Saúde Mental, da 16ª Regional de Saúde (RS), de Apucarana, Ângela Maria Maioli Blanski, observa que o diálogo com a pessoa deve mostrar que a vida é uma junção de experiências e momentos, bons e ruins. “É importante conversar, mostrar que todo problema tem solução. Alguns têm solução mais imediatas, outros a longo prazo, mas todos têm solução”, afirma.

Além disso, segundo ela, é importante fazer colocações para a pessoa, no sentido que ela precisa tomar decisões, para sair desse estágio de dor. “Caso, não consiga evitar a morte, a família normalmente passa por um sofrimento muito intenso, adoece e, por isso, precisa de tratamento especializado”, diz.

Impotência e culpa
Em média, de acordo com Ângela, um caso de suicídio atinge seis pessoas, que tendem a se sentirem impotentes e, ao mesmo tempo, culpadas.Porém, para prevenir, a capacitação dos profissionais também é essencial, avalia Ângela. “A prevenção começa com a qualificação dos profissionais de saúde e também com diálogos sobre o assunto”, acredita. 

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