Cotidiano

Com preço em baixa, plantio de milho será reduzido em 25%

Da Redação ·
Agricultor Donizete Pires espera que o preço melhore para cobrir custo de produção (Foto: Ivan Maldonado)
Agricultor Donizete Pires espera que o preço melhore para cobrir custo de produção (Foto: Ivan Maldonado)

A produção recorde de milho na safra 2016/17, os altos estoques e o cenário de preços baixos deve desestimular o plantio na safra próxima temporada nos 22 municípios que fazem parte da área de abrangência do escritório regional da Seab de Ivaiporã (centro-norte do Paraná). Ontem (12), o Departamento de Economia Rural (Deral), divulgou a estimativa de área plantada do milho primeira safra 2017/18. 

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Conforme o boletim, se no ano passado os produtores cultivaram em área 15.250 ha., na temporada que se inicia a área será de apenas 11.500 ha., ou seja, uma redução de 24,59%. Na área de 47,8 mil ha da safra de inverno 96% do cereal já foi colhido. Nesta safra a estimativa do Deral é que a regional feche o período com 240 mil toneladas. 

De acordo com o  agrônomo do Deral, Sergio Carlos Empinotti, apesar da produção recorde de 5 mil quilos por hectares os preços baixos pago pelo milho R$ 18,30 a saca de 60 quilos, estão incentivando uma migração de área para a soja. Para se ter uma ideia, em agosto do no ano passado, a saca era cotada a R$ 35,57 na região. 

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“Mesmo a soja não estando no preço que o produtor tinha expectativa, ainda é uma opção melhor porque tem mais liquidez. Além disso, o produtor da região está mais preparado para o plantio dessa cultura”, opina. 

Empinotti, comenta ainda, que além da expressiva oferta, o valor do milho foi puxado para baixo pelo comportamento do mercado internacional e pela cotação do dólar. “Com o recuo da moeda norte-americana frente ao real, o grão foi depreciado. O consumo interno, apesar da avicultura ter crescido quase 25% no ano, não dá uma demanda tão grande que possa faltar milho”, explica.

Sobre o  ritmo dos negócios do cereal, o agrônomo relata ainda é muito lento na região com os preços variando bastante. “Sobe R$ 0,60 num dia, no outro cai R$ 30. Com isso, acredito que apenas 30% do milho foi negociado. A maioria do pessoal está aguardando uma reação maior do mercado”, assinala Empinotti. 

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O agricultor Donizete Pires, que também é presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Ivaiporã, é um desses produtores que aguarda preço melhor para negociar. Ontem, ele colheu a última área dos cinco alqueires que plantou, em média ele obteve uma produção de 210 sacas por alqueire.

“No preço de mercado  hoje estou no prejuízo, já que o custo de produção é de 220 sacas por alqueire em média. Ainda não comercializei porque tenho expectativa de melhora, se não tiver pelo menos a garantia do preço mínimo (R$ 19,21) é mais prejuízo ainda. Lembrando que quando se entrega o produto, tem também os descontos de aproximadamente 3,5%”, relata Pires. 

Ainda segundo Pires, a Federação dos Trabalhadores na Agricultura do Estado do Paraná (Fetaep) já solicitou ao Governo Federal que seja cumprido o  Programa de Garantia de Preços para a Agricultura Familiar (PGPAF). 

Garantia de preço mínimo
“É um programa de governo dentro do Pronaf que garante o preço mínimo para  quem financiou. Já há sinalização do governo que o programa será  cumprido. A gente está orientando, que na hora que o agricultor for quitar o financiamento, que ele exija do banco esse direito e seja compensado com a diferença que ele negociou a menos do preço mínimo”, completa.