Cotidiano

Sangue de astronautas sofre alterações em voos espaciais, aponta pesquisa

Da Redação ·
Astronauta em missão na EEI: pesquisa aponta alterações sanguíneas -Foto - Pixabay
Astronauta em missão na EEI: pesquisa aponta alterações sanguíneas -Foto - Pixabay

Cientistas do Instituto de Física e Tecnologia de Moscou (MIPT, na sigla em inglês) constataram durante estudos realizados que as viagens espaciais provocam mudanças na composição de proteínas no sangue humano e por conta disso o sistema imunológico age como se estivesse combatendo uma infecção.

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Os resultados da pesquisa foram publicados recentemente no “Nature Scientific Reports”. Os cientistas coletaram amostras de sangue de 18 cosmonautas russos que participaram de missões de longa duração na Estação Espacial Internacional (EEI). As coletas foram realizadas 30 dias antes do embarque, imediatamente após o retorno e sete dias após o desembarque na Terra.

Os pesquisadores analisaram a concentração de 125 proteínas no plasma sanguíneo, e identificaram moléculas que mantiveram a concentração, outras que foram alteradas, mas retornaram aos níveis anteriores ao voo rapidamente, e outras que levaram um tempo maior para retornar à normalidade. Das 125 proteínas, 19 sofreram mudanças em decorrência da viagem ao espaço.

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Como se o corpo estivesse infectado
"Os resultados indicaram que na ausência de gravidade, o sistema imunológico age como quando o corpo está infectado, porque o organismo humano não sabe o que fazer e aciona todas os sistemas de defesa possíveis", detalhou o professor Evgeny Nikolaev, um dos autores do estudo realizado pelo MIPT.

Conforme Nikolaev, os fatores que afetam o corpo humano durante voos espaciais são interessantes por serem diferentes daqueles que influenciaram a evolução humana na Terra. 

"Ainda não é sabido precisamente se o nosso organismo tem mecanismos capazes de se adaptar tão rapidamente a uma mudança ambiental tão radical, mas os estudos já realizados apontam que provavelmente não, já que alterações metabólicas são observadas em células, tecidos e órgãos, indicando que o corpo não tem respostas programadas e tenta fazer tudo o que for possível", acrescentou o pesquisador.

Os cientistas russos agora planejam uma nova fase de estudos, com amostras de sangue retiradas pelos cosmonautas a bordo da Estação Espacial Internacionalpara posterior análise.