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Violência desafia professores nas salas de aula

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A imagem do rosto ensanguentado da professora catarinense Márcia Friggi, de Língua Portuguesa, ganhou os principais portais de notícias e as redes sociais de todo o Brasil na última semana. A foto retrata parte do cenário da escola no Brasil e expõe a rotina de milhares de professores, que convivem diariamente com algum tipo de violência, seja física ou verbal, que é a mais comum. 

Professora catarinense Márcia Friggi

No início do ano, de acordo com dados plataforma QEdu, do Ministério da Educação (Mec), revelou que na região cerca de 55% dos professores já sofreram algum tipo de agressão física ou verbal em sala de aula.De acordo com o relatório da Patrulha Escolar, que registra o boletim de ocorrência quando é acionada pelas escolas, nos dezesseis municípios de abrangência do Núcleo Regional de Educação (NRE), de Apucarana, neste ano foi registrado um caso de agressão de aluno a professor. No ano passado, também foi registrado um caso de agressão de aluno contra professor e outro caso de agressão de professor contra alunos. Os municípios das ocorrências não foram divulgados. Ainda segundo o relatório feito pela Patrulha Escolar, neste ano, quatro ocorrências foram registradas por professores, que foram ameaçados por alunos. 

No ano passado inteiro, nove professores registraram queixa por este motivo. Em 2016 também foram registradas onze ocorrências por desacato, neste ano nenhum caso foi registrado. A violência não ocorre apenas entre professores e alunos. O relatório da própria Patrulha Escolar revela também a violência entre os alunos. De janeiro a agosto deste ano, dezenove casos de agressão física entre alunos foram registrados, mesmo número do ano passado inteiro. Os dados, apesar de chamar a atenção, não é um retrato fiel da intensidade de ocorrências de violência no âmbito escolar. Em muitos casos é comum não registrar a queixa. Um exemplo vem do professor de Língua Portuguesa, de 37 anos, que pediu para manter a sua identidade em sigilo. 

EXPERIÊNCIA
Ele recorda que durante uma dinâmica em sala de aula, em Sabáudia, percebeu que uma aluna estava provocando um dos colegas com guarda-chuva. “O menino, sempre muito fechado, não estava gostando, como maneira de me aproximar, fiz uma brincadeira e falei: isso vai dar casório. Ele continuou com a cara fechada e, no final da aula, se aproximou e deu um soco no meu braço”, conta. 

O professor comenta que avisou a coordenação pedagógica, que verificou as imagens da sala de aula e viu que o ambiente era de descontração. “Sempre fiz uso da brincadeira para me aproximar dos alunos. Entendo que ele possa não ter gostado do que falei. De repente, eu deveria ter percebido o jeito dele e ter feito outra abordagem, mas não precisava ter me agredido“, avalia. 

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