Cotidiano

Em Curitiba, flanelinha ganha mais do que professor

Da Redação ·
Flanelinhas lucram alto para cuidar dos veículos - Foto: Daniel Caron/Gazeta do Povo
Flanelinhas lucram alto para cuidar dos veículos - Foto: Daniel Caron/Gazeta do Povo

As ruas e avenidas de Curitiba, assim como em muitas cidades do Brasil, sempre têm a presença frequente de flanelinhas, que lucram alto para cuidar dos veículos. Dependendo do ponto, um guardador de carro chega a receber até R$ 4 mil mensalmente, conforme reportagem da Gazeta do Povo. Principalmente em parques, quando o fluxo grande de veículos em finais de semana de sol chega a dobrar os rendimentos desta categoria de trabalhador.

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Ainda segunda a matéria do órgão de imprensa paranaense, o valor chega a ser maior do que o piso de algumas categorias profissionais. Em relação aos professores da rede estadual que trabalham 20 horas semanais, por exemplo - um professor da rede estadual, com jornada semanal de 20 horas de trabalho, recebe mensalmente R$ 1.415,78. O piso de farmacêuticos de hospitais e outros estabelecimentos de saúde do Estado, para uma carga horária de 44 horas semanais, está em R$ 2.916,41.

Os R$ 4 mil que um flanelinha pode lucrar por mês têm suas variáveis. A caixinha fica mais abastecida quanto mais próximo o ponto for de destinos turísticos. Fins de semana consecutivos de sol e férias escolares potencializam as gorjetas.

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“Num final de semana bom, se tem sol, tiro até R$ 1.000. Já cheguei a ter um mês inteiro bom. Mas nem sempre é assim. Se fosse, eu estava rico e bem se vê que não estou”, conta um flanelinha que atua na região do Jardim Botânico somente aos sábados e domingos. Quando o movimento não colabora, ele conta que a soma diminui, podendo variar entre R$ 600 e R$ 800 nos dois dias do final de semana.

Perto um shopping no bairro Alto da XV, a quantidade de vagas nas ruas também atrai aos guardadores. Um deles, que trabalha de domingo a domingo no local, afirma que é possível levar para casa todos os meses R$ 3 mil – cerca de R$ 100 por dia.

"Criei meus filhos"
“Eu estou aqui há 15 anos e criei meus filhos com esse dinheiro. Não acho que estou fazendo nada ilegal e não exijo que ninguém me pague. Se me dão R$ 0,10, eu agradeço muito, peço para Deus dar em dobro”, comenta o flanelinha, que classifica uma boa gorjeta quando recebe R$ 10 – rara, mas que acontece às vezes. “O que recebo aqui, parte vai para o banco para pagar meu terreno. O resto é conta de água, luz, para o gás. Eu ganho o pão que acho que preciso”, comenta.

Sem regulamentação
A atividade dos flanelinhas não é regulamentada. A prefeitura de Curitiba ressalta que, como não é uma atividade legal, a Secretaria Municipal de Trânsito (Setran) não tem mecanismos próprios para fiscalizar a atuação dos flanelinhas nas ruas de Curitiba. Em casos de extorsão, a pasta orienta que seja registrado boletim de ocorrência na Polícia Militar e recomenda que os moradores da cidade não “alimentem esse tipo de pagamento”.