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Caminhoneiros reclamam de falta de segurança e baixo valor do frete

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Carlos Guimarães é caminhoneiro há 15 anos e afirma que profissionais trabalham com medo | Foto: Sérgio Rodrigo
Carlos Guimarães é caminhoneiro há 15 anos e afirma que profissionais trabalham com medo | Foto: Sérgio Rodrigo

Dois anos após a última greve de caminhoneiros, pouca coisa mudou para a categoria, que continua enfrentando dificuldades. No Dia do Caminhoneiro, comemorado hoje (30), o custo operacional alto e ganhos baixos são as principais reclamações dos motoristas. A crise dos caminhoneiros também se reflete nas entidades que representam estes profissionais, que nos últimos anos perderam membros e até fecharam as portas.

Em 2015, na esteira da crise econômica que assolava o país, os caminhoneiros fizeram duas paralisações nacionais: uma em março e a outra em novembro. Eles fecharam rodovias e pediam a saída da então presidente Dilma Rousseff (PT). O impeachment de Dilma aconteceu em agosto do ano seguinte, quando a crise estava ainda mais aguda. Mesmo um ano depois da troca presidencial, a situação não melhorou para os caminhoneiros.

Caminhoneiros reclamam do baixo preço do frete e da falta de segurança - Foto: Caminhões e Carretas

“De lá para cá, parece que a situação ficou ainda pior. Muitos estão parando de trabalhar com transporte para procurar outra profissão. O frete hoje em dia é muito baixo, ainda mais com o diesel no preço em que está. Mas o pior de tudo continua sendo o pedágio, que acaba ‘roubando’ cerca de 25% do frete, em média”, afirma Luiz Ignácio, caminhoneiro há 30 anos.

Já Carlos Guimarães, que trabalha há 15 anos no transporte de grãos, acrescenta que a falta de segurança e a rotina na estrada também afetam negativamente a classe. “Dá medo de rodar por aí. Algumas estradas são muito perigosas. A gente passa até 60 dias longe de casa, longe da família. É um trabalho muito desgastante, que não tem o devido reconhecimento. Acredito que tanto o governo quanto as próprias empresas deveriam olhar mais para nós”, ressalta ele.

A situação se agrava ainda mais pelo fato de que entidades que representam, defendem e pleiteiam melhorias para esses trabalhadores estão enfraquecendo. O Sindicato dos Condutores Autônomos de Veículos Rodoviários de Apucarana fechou as portas. Hoje, apenas o Sindicato dos Condutores de Veículos Rodoviários e Anexos de Apucarana ainda funciona, defendendo os motoristas que são contratados por empresas.

Já a Associação dos Caminhoneiros Autônomos de Arapongas (ACAA) perdeu, nos últimos anos, quase 50% dos associados. A entidade, que já teve 150 membros, hoje possui cerca de 80. “A situação para os caminhoneiros está bem complicada. O preço do frete é o mesmo há cerca de quatro anos. Com o diesel e o pedágio cada vez mais caros, não sobra quase nada para o caminhoneiro se sustentar”, afirma o presidente da associação, Antônio Ferreira.

"Muitos estão parando de trabalhar com transporte para procurar outra profissão", diz Luiz Ignácio, caminhoneiro há 30 anos
Foto: Sérgio Rodrigo

“Não mudou nada após a saída da Dilma. A situação acabou se agravando ainda mais. É preciso que a economia melhore, para que as indústrias voltem a produzir mais. Com isso, aumentaria o trabalho e as empresas poderiam pagar um frete maior”, diz ele.

Perigo nas estradas é principal problema apontadoDe acordo com pesquisa divulgada pela Confederação Nacional do Transporte (CNT), a falta de segurança é o principal entrave da profissão de caminhoneiro, de acordo com os próprios motoristas. Para eles, vencer o medo de ser vítima de assaltos e ainda ter que trafegar por estradas que desafiam a habilidade ao volante são os maiores problemas enfrentados diariamente.

 Quase 98 mil roubos em cinco anos
Cerca de 61,1% da movimentação de carga no país é feita via transporte rodoviário. Entre 2011 e 2016, o país contabilizou 97.786 roubos de carga. Somente em 2016 foram 22,5 mil ocorrências. 

Depois da violência urbana as más condições das rodovias brasileiras e o consequente risco de envolver-se em acidentes estão entre as preocupações dos caminhoneiros. 

O estudo da CNT revela ainda que 58,2% das rodovias têm alguma deficiência, sendo classificadas como regulares, ruins ou péssimas.

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