Cotidiano

Alta no preço do feijão carioca ultrapassa 100%

Da Redação ·
Preço do feijão carioca tem aumentado e os consumidores já perceberam a diferença - Foto: Ivan Maldonado
Preço do feijão carioca tem aumentado e os consumidores já perceberam a diferença - Foto: Ivan Maldonado

Bancar a combinação clássica do cardápio brasileiro está mais cara nas últimas semanas. O preço do feijão carioca tem aumentado e os consumidores já perceberam a diferença do preço nas prateleiras dos supermercados de todo o Brasil. Em Ivaiporã, na região produtora do Vale do Ivaí (norte do Paraná), em alguns estabelecimentos, a alta chega a 106%. O preço do pacote de um quilo que custava, em média, R$ 3,39 no mês passado saltou para R$ 6,99 neste mês. A explicação para este salto no preço está no prejuízo causado pelo clima chuvoso e frio, o que afetou a colheita e, consequentemente, a oferta do produto aos supermercados.

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Em Apucarana, a diferença do preço também já chegou às gôndolas e varia de acordo com o tipo e a marca do grão. O gerente de uma rede de supermercados Leandro Zaffalon diz que o preço foi repassado nesta semana ao consumidor. 

“Não conseguimos segurar mais o preço nas prateleiras. Já faz 15 dias que o preço começou a aumentar. O acréscimo foi, em média, de R$1 por pacote de um quilo. Antes, o consumidor encontrava opção a R$ 4, agora está saindo por R$ 5. O preço também varia de acordo com a marca do feijão”, diz. Neste caso, a alta foi de 25%.

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Em outra rede de supermercados, o valor pago pelo feijão chegou a dobrar. O quilo do grão, que custava cerca de R$ 4 nas gôndolas, agora custa até R$ 8. “As chuvas ocorridas no Rio Grande do Sul, um dos maiores estados produtores de feijão, derrubaram a colheita e, por consequência, tivemos que passar a comprar do Mato Grosso, com preços mais altos”, afirma Adriano Zalilio, comprador de um supermercado da cidade.

Segundo ele, a tendência é o preço voltar a cair. “Os valores já estão começando a baixar novamente. Acredito que, em 30 dias, os preços voltem ao patamar anterior”, aponta. Enquanto os preços não baixam, as novas cifras assuntam os consumidores que não abrem mão do feijão nas refeições. 

Um exemplo é o servidor público Cláudio Zarpellon, de Ivaiporã, que estava acostumado a ver o feijão como um alimento barato das compras. “Agora vamos ter que aprender a lidar com o aumento. Como é época de frio vou aproveitar e substituir por feijão preto, que embora também esteja caro, mas está um pouco mais barato que carioca”. Ontem em Ivaiporã, o feijão preto era vendido nos supermercados em média a R$ 4,99 o quilo.

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Clima mexe no mercado e pressiona preços
A dona de casa Beneuza Cardoso Kurten, moradora de Arapuã, tem suas estratégias para que o preço não pese no orçamento da família. “Sempre que tem muita alta como agora, prefiro comprar uma saca (60 quilos) direto do produtor no sítio. Com o atual preço no supermercado pesa muito no orçamento”, reclama Beneuza.

De acordo com o engenheiro agrônomo do Departamento de Economia Rural (Deral), Sérgio Carlos Empinotti, o clima foi o fator que mais acarretou problemas, causando a queda na produção, que estimularam o aumento do preço. “Tivemos chuvas demasiadas na colheita, que atrapalhou a produtividade e a qualidade do grão. Com menos feijão novo disponível no mercado, o preço ficou mais caro para o consumidor”, relata.

Ainda segundo Empinotti, o preço do feijão carioca deve manter esses mesmos patamares nos próximos meses. “A expectativa é que o mercado só se acalme com a entrada do feijão das águas lá por outubro ou novembro”, completa.