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Bolsonaro comandou invasão do exército à cidade no Paraná. Verdade ou mentira?

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FATO É CONTADO NAS REDES SOCIAIS

Bolsonaro comandou invasão do exército à cidade no Paraná. Verdade ou mentira?

Bolsonaro diz que, se eleito presidente, vai militarizar ensino no País. Foto: Divulgação

Em 22 de outubro de 1987, por volta das 10 horas da manhã, cerca de 50 militares do 30º Batalhão de Infantaria Motorizado (hoje chamado de 30º Bimec) coordenados por Jair Messias Bolsonaro, desembarcam em quatro viaturas em frente à Prefeitura e Câmara de Vereadores da cidade de Apucarana, norte do Paraná, cercaram o prédio e impediram a entrada e saída de pessoas.

O parágrafo acima é um resumo de diversos textos que circulam nas redes sociais há algum tempo e creditam a Jair Bolsonaro à invasão do Exército na cidade de Apucarana. Mas será que isso é verdade? Em partes sim, realmente o Exército adentrou as dependências da Prefeitura e Câmara, mas não foram comandados por Bolsonaro e sim pelo então capitão Luiz Fernando Walther de Almeida (hoje tenente-coronel da reserva), na época com 34 anos.

Prefeitura de Apucarana. (Foto: Edson Denobi)

Walther invadiu o gabinete do prefeito à época, Carlos Roberto Scarpelini, que naquele dia estava na Assembleia Legislativa, em Curitiba, e entregou a um assessor do Executivo Municipal carta de protesto contra os baixos salários das forças armadas. O fato ocorrido no interior do Paraná ganhou repercussão nacional causando um temor de uma possível destituição do então presidente José Sarney, e a volta da ditadura militar.

"A ação dos militares durou poucos minutos e aconteceu em outras cidades do Brasil. Eles entregaram uma carta de protesto e reivindicação de melhores salários na prefeitura e para a imprensa e depois deixaram o local, tudo de forma pacífica", relembra Carlos Scarpelini.

Capa do jornal Tribuna da Cidade, precursora do Jornal do Norte e da Tribuna do Norte. (Foto: TNOnline)

Em entrevista concedida ao jornal "Tribuna do Norte", o tenente-coronel Luiz Fernando Walther de Almeida revela que a decisão da invasão se motivou devido à situação de abandono que vivia o exército. “A mulher de um capitão que morava embaixo do meu apartamento teve uma fratura no braço ou na perna, e esse capitão não tinha dinheiro para bancar o atendimento. Os tenentes meus tinham bicicleta e não automóvel.”

Sem agressividade
Walther contesta os fatos publicados na época, que afirmavam que exército usou da agressividade ao longo da incursão. “Todos dizem que eu chutei a porta do prefeito, mas não foi bem assim. Estava com a metralhadora cruzada no peito (...) você sob tensão faz coisas diferentes, em vez de bater com a porta, eu bati com o coturno embaixo. A minha intenção era chamar atenção das pessoas para abrir a porta (...) mas não queria derrubar a porta.”

Reajuste
No mesmo dia da ocupação, o presidente José Sarney anunciou, em rede nacional, reajuste de 25% para todos os militares do Exército, Marinha e Aeronáutica. O comando do Exército, porém, disse na época que o aumento já estava programado.

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