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EUA apontam guerra cibernética como principal ameaça mundial

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Oficiais atualizam proteção anti-hackers da central de controle da base aérea de Barksdale, nos EUA - Foto: Tech. Sgt. Cecilio M. Ricardo Jr/US Air Force)
Oficiais atualizam proteção anti-hackers da central de controle da base aérea de Barksdale, nos EUA - Foto: Tech. Sgt. Cecilio M. Ricardo Jr/US Air Force)

Nos Estados Unidos, a guerra cibernética é considerada, hoje, a principal ameaça à segurança nacional, maior até mesmo que a rival Rússia, a ameaçadora China ou os extremistas islâmicos, revelou recentemente no Senado brasileiro o professor Gunther Rudzit, coordenador do curso de Relações Internacionais da Fundação Armando Álvares Penteado (Faap), citando a declaração ouvida de um pesquisador norte-americano na área de defesa. A guerra cibernética é levada tão a sério nos EUA que o Departamento de Defesa criou sua própria divisão de combate cibernético. E os norte-americanos têm razão para se preocupar. O ciberataque que aconteceu na sexta-feira (12) fez 200.000 vítimas em pelo menos 150 países e esse número está aumentando nesta segunda-feira (15).

A informação foi ratificada pelo diretor da agência de polícia da União Europeia (Europol) Rob Wainwright, pela rede britânica ITV. O ataque, focado inicialmente na Espanha, Portugal e Inglaterra, se espalhou pelo mundo. No Brasil, nesta segunda-feira (15) o sistema de computação do Instituto Nacional de Seguridade Social (INSS) e muitos outros estão paralisados. A China e o Japão também foram vítimas do ciberataque que atingiu mais de 150 países de todo o mundo. Segundo a imprensa asiática, mais de 29.000 instituições chinesas tiveram seus computadores invadidos pelos hackers desde sexta-feira.

Sem precedentes
O ataque hacker de sexta-feira não tem precedente na história do cibercrime. Menos de 24 horas depois de identificado, já atingiu mais de 75.000 computadores e servidores ao redor do mundo. As instruções que aparecem na tela das vítimas foram preparadas em 28 idiomas diferentes, inclusive português. Todo esse planejamento e execução, realizados com precisão, dependem da existência de uma infraestrutura específica, investimento e organização.

“Tudo indica que é um grupo internacional. E não é um grupo pequeno”, diz Fábio Assolini, que faz parte da Equipe de Pesquisa e Análise Global da Kaspersky, empresa russa de segurança que descobriu a infecção virtual ainda na noite de quinta-feira (11).

“Foi um ataque muito bem planejado e com objetivo financeiro claro. E foi arquitetado para afetar o maior número de pessoas, com pedido de resgate no idioma da vítima”, completa Assolini. 

Profissionalismo
O profissionalismo do grupo pode ser constatado até mesmo na programação do vírus. Apesar dos esforços de agências de internacionais, empresas de segurança e especialistas, até agora não foi possível identificar os responsáveis. “Sabe-se apenas que é um grupo muito organizado e provavelmente composto por pessoas de diversos países”, diz o especialista de cibersegurança Carlos Borges, da empresa de tecnologia Arcon.

Os hackers utilizaram uma brecha do sistema Windows para codificar os computadores atingidos, tornando-os inacessíveis para os usuários. Depois exigiram o pagamento de resgates no valor de 300 dólares (cerca de 940 reais) para desfazer a criptografia. Sem o código em poder dos bandidos, é impossível reaver os dados.

Busca de falhas para minar sistemas
A divisão voltada para a guerra cibernética criada nos EUA emprega jovens ligados a essa nova realidade para buscarem falhas e formas de minar os sistemas de defesa das potências adversárias. Os americanos reconhecem, explica o professor, que as ações militares estão cada vez mais dependentes do aparato tecnológico, e os sistemas que alimentam passaram a ser um calcanhar de aquiles até mesmo para a maior potência bélica do planeta.

“Quebrada essa estrutura de comando e controle baseada em tecnologia, para de funcionar a guerra moderna. Você está num tanque, numa tela, clicando o que outra unidade está vendo, o que um avião está vendo. Se você quebra isso, eles param e deixam de funcionar, como essa máquina de guerra que eles têm. Então, tecnologia passa a ser, hoje em dia, algo fundamental”, raciocina o professor Gunther Rudzit sobre a guerra cibernética.

Preparação
O professor Rudzit lembra que a maioria dos países já está empenhada em se preparar para a guerra cibernética. “Organizações terroristas adorariam quebrar toda a rede de eletricidade da costa leste americana. Imagine o caos!? E se for a rede bancária?”, especulou, citando um tipo de ataque da guerra cibernética. Como admitiu o especialista, tais ataques de proporções incalculáveis podem ser desfechados por uma única pessoa, “um rapazinho de 15 ou 16 anos”, a partir de sua casa.


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