Cotidiano

Bombeiros trocam sunga por bermuda no Paraná e mudança gera polêmica

.

Bombeiros têm usado sunga apenas para praticar natação no litoral do Paraná - Foto: Ana Zimmerman/RPC
Bombeiros têm usado sunga apenas para praticar natação no litoral do Paraná - Foto: Ana Zimmerman/RPC

Os Bombeiros que trabalham no litoral do Paraná durante a Operação Verão passaram a usar bermuda em vez de sunga, como em anos anteriores. A mudança causou polêmica.

Conforme o Corpo de Bombeiros, a bermuda expõe menos o corpo ao sol e, desta forma, reduz o risco de câncer de pele. A camiseta, que já era de mangas longas, para proteger a pele, também mudou e está mais leve. 

Os salva-vidas não podem dar entrevista sem autorização do comandante, mas alguns não estão satisfeitos com a substituição. Eles reclamam que a bermuda atrapalha a natação, mas, principalmente, que o tecido não seca. Como fazem muitos exercícios e caminham bastante, a peça acaba irritando a pele. 

Os salva-vidas não podem dar entrevista sem autorização do comandante. Mas ainda é possível ver os salva-vidas de sungas: quando eles não estão no expediente e, sim, na prática esportiva diária. Eles precisam treinar natação e a sunga é melhor para isso.

Confira a íntegra da nota enviada pelo Corpo de Bombeiros: 

"O Corpo de Bombeiros informa que, do ponto de vista da segurança e saúde ocupacional, o uso de algumas peças de uniformes (como a bermuda atualmente utilizada), além de representar a identidade visual da instituição, têm a função de desempenhar o papel de Equipamento de Proteção Individual (EPI). No serviço de guarda-vidas isso não é diferente. 

Expostos à radiação solar ultravioleta por prolongados períodos, o profissional guarda-vidas necessita ter a maior parte possível de seu corpo protegida, visando a prevenção de lesões causadas por radiação ultravioleta, que possa evoluir para o câncer de pele, entre outras doenças ocupacionais. Nesse sentido, camisetas de manga longa, bonés, chapéus, óculos escuros polarizados e bermudas, além do filtro de proteção solar são ferramentas indispensáveis para a manutenção da saúde ocupacional desse profissional. 

Na maioria dos serviços de guarda-vidas do mundo, o uso desses itens de uniformes, que funcionam, ao mesmo tempo, como EPIs, são obrigatórios e fornecidos pela instituição que tem a função social de, também, zelar pela segurança de seu funcionário. Serviços de guarda-vidas de países como a Austrália, Estados Unidos, Chile, Itália, Portugal, entre muitos outros, e de estados brasileiros como Pernambuco, São Paulo, Sergipe, Maranhão, entre outros, utilizam políticas rígidas de proteção de seus funcionários contra os malefícios da radiação solar ultravioleta com a adoção de uniformes que desempenhem essa função. 

Obviamente, a adaptação ao uso de determinados EPIs, como em qualquer profissão, nem sempre é rápida, no entanto, é necessária e fundamental. O uso de sungas e conjuntos top/sunquini ainda é permitido, seja por baixo dos uniformes considerados como EPIs ou em atividades de treinamento e instruções, realizados, por regra, em horários de exposição menos acentuada a raios solares ultravioletas. Além disso, existe a questão de identidade visual de uma instituição, a qual perpassa pela mensagem que essa instituição transmite ao seu cliente, em nosso caso, a população de modo geral, incluindo, nessa mensagem, a preocupação com a saúde, com a segurança e com a sobriedade que a instituição deseja ter. 

Sendo assim, o uso de uniformes do CBPMPR, após detida e minuciosa análise, é aprovado e atualizado por Portarias do Comando Geral da Corporação. Dessa forma, toda alteração é precedida de discussões, estudos e experiências de pessoas ligadas à área e, nesse sentido, qualquer nova alteração somente será realizada após minucioso estudo e conclusões que vão de encontro a tudo que se tem de evidência até o presente momento, no que tange à segurança e saúde ocupacional do profissional Bombeiro Militar Guarda-Vidas. Com relação especificamente às bermudas, é o mesmo equipamento que vem sendo utilizado pelos bombeiros militares nos últimos anos e não há indicativo claro de que este tipo de efeito relatado na denúncia possa ser produzido. 

Por motivos óbvios há uma questão de individualidade que deve ser acompanhada com atenção pela instituição, para que se defina, inclusive, se há compatibilidade do profissional com a atividade. No entanto, é possível observar uma predominância de outros profissionais que trabalham em nossas praias, diariamente, de bermudas, sem que isso, em tese, represente um fator limitador de sua atuação".

Com informações da RPC/G1