Cotidiano

ONGs de proteção animal lutam contra a falta de conscientização

Da Redação ·
Em Apucarana,  o canil da Soprap abriga 420 animais abandonados. Foto: José Luiz Mendes
Em Apucarana, o canil da Soprap abriga 420 animais abandonados. Foto: José Luiz Mendes

O abandono de animais tem se tornado um problema cada vez maior. Apesar da lei que penaliza quem comete este tipo de ação, a falta de consciência torna a situação difícil de controlar. A Organização Mundial de Saúde (OMS) estima que o Brasil tenha aproximadamente 30 milhões de animais nas ruas. Outro levantamento realizado pelo Governo do Paraná aponta um cachorro abandonado para cada três habitantes e um gato a cada sete. Somente em Apucarana, cerca de 20 mil animais estão sem lar. Os dados são da Sociedade Protetora dos Animais (Soprap), que atualmente cuida 420 animais recolhidos das ruas, sendo 300 gatos e 120 cachorros. E segundo a direção, não há mais espaço disponível para acomodar mais animais. 

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A entidade se mantém por meio de parcerias com a prefeitura que auxilia na manutenção do canil, disponibilização de funcionários, veterinário, mão de obra e ração. Já a compra de medicamentos e manutenção do centro cirúrgico -inaugurado em fevereiro deste ano -  são custeado com a ajuda de voluntários e colaboradores.

De acordo com a presidente da Soprap, Isamélia Andréia Constâncio Ballan, a clínica prioriza a castração dos animais para controlar a reprodução e reduzir a população de bichos. De fevereiro até agosto foram castrados 102 gatos e 60 cães. A primeira etapa visa atender os animais abrigados no canil. A segunda fase será voltada aos animais que estão em lar temporários, ou seja, pessoas que recebem cães e gatos em suas casas e cuidam por determinado período.

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ONGs de proteção animal lutam contra a falta de conscientização fonte: Reprodução

O centro também é responsável pela identificação dos animais. Cães e gatos são marcados com uma tatuagem que aponta aqueles que já foram castrados, ajudando a rotatividade. “Com a demarcação nós conseguimos saber qual animal já foi castrado. Podemos também identificar também o animal que já passou por aqui e recebeu os nossos cuidados”, explica a presidente.

Após seis meses de intenso trabalho, o centro cirúrgico já se tornou referência no setor em todo o Estado. A instalação do espaço custou R$ 109 mil, sendo R$ 84 mil para construção através da prefeitura e R$ 25 mil de recursos próprios.

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AMIGO BICHO
Criado há cinco anos, o projeto Amigo Bicho é voltado a castração de cadelas que vivem nas ruas em Apucarana, para evitar aumento da reprodução. O projeto tem assumido o custo total da cirurgia para as famílias que possuam o animal e provem a necessidade e a falta de condições. A meta é castrar 200 animais neste ano, porém a entidade acredita que o número será ultrapassado, já que até agosto 150 animais foram atendidos.

A Soprap conta com 8 voluntários ativos  para lidar com a debanda, além da colaboração de 25 pessoas que ajudam doando dinheiro todo o mês. Os recursos arrecadados são destinados à manutenção do canil, que tem custo médio de R$ 3 mil por mês.

 “Nós aceitamos todo o tipo de ajuda. Tem gente que não pode colaborar dessa forma e oferece a mão de obra, que também nos auxilia muito”, conta a presidente.

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Apesar de todo empenho, falta de conscientização, amor e respeito ao próximo ainda compete com as boas ações. O coordenador do canil e voluntário da Soprap, Luan Rafael conta que os casos de maus tratos ainda são frequentes. “Nos últimos dois meses nós atendemos seis denúncias. Em uma delas, os proprietários saíram para viajar e deixaram o animal sozinho em casa por mais de 15 dias. Nós encontramos esse cachorro se mutilando de fome”, relata.

Ele conta que nessas situações, os animais são recolhidos e os responsáveis autuados. Porém, na prática a lei ainda não é tão efetiva quanto parece. “Provar um caso de maus tratos é muito difícil, a pessoa sempre recorre a uma justificativa ou a uma brecha”, lamenta, Luan.

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Para o coordenador e presidente da Soprap, uma medida eficaz para mudar esse comportamento deve ser feita através da educação, sobre tudo aquilo que envolve a natureza, onde as crianças possam crescer com um pensamento e uma preocupação diferentes.

Por meio da Soprap, a proposta já existe, através dos Protetores do Amanhã, que leva as até as escolas temas sobre educação ambiental, posse responsável e maus tratos. “Passando esses conhecimentos as crianças o retorno acontece, e lá na frente as coisas serão de outra maneira”, acredita, Luan, que relata ainda uma situação, na qual recebeu uma denúncia de um aluno, após a palestra, “ele se conscientizou daquilo e quando presenciou uma cena de injustiça nos procurou para alertar”.

Mas a ideia é que esses ensinamentos sejam assumidos pelos gestores públicos. Que eles invistam nas escolas e façam disso permanente. “Só desse modo teremos uma resposta lá na frente”.

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Aos interessados em conhecer os animais, o canil fica localizado na Avenida Cristiano Kussmaul, no Jardim Interlagos. O telefone para contato é (43)3901-1051 e o horário de atendimento é de segunda-feira à sexta-feira, das 8h às 16h30.

Uma vez ao mês, também acontece a feirinha de adoção na Praça Rui Barbosa, lá a comunidade participa em conjunto com o canil e a Soprap, levando os animais disponíveis para receberem uma nova família.

Quem puder ajudar, a Soprap realiza até a terça-feira (30/08) uma parceria com o Bob’s de Apucarana. Dois lanches do cardápio fazem parte uma campanha de arrecadação, na qual, cada um que for vendido, a ONG receberá R$ 5.

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ARAPONGAS
Em Arapongas a situação também é precária. A Organização Protetora dos Animais de Arapongas (Opaa) cuida hoje, de 230 cachorros abandonados; número que tem crescido a cada ano. Quem confirma esse aumento é a presidente da Organização, Meiry Farias, ela lembra que há cerca de 4 anos, a entidade tinha uma média de 50 a 60 animais, ou seja, de lá pra cá, eles quadruplicaram.

Para dar conta de todos esses cachorrinhos a Opaa conta atualmente com 15 voluntários e um espaço cedido pela prefeitura de Arapongas onde acolhe e trata esses animais. Porém, as dificuldades do dia a dia têm se tornado cada vez mais aparentes. “Apesar da colaboração que recebemos, nós temos hoje uma dívida de R$15 mil com clinicas veterinárias da cidade. Algumas não querem nem mais atender a gente’’, desabafa.

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A organização vive de doações e campanhas realizadas mensalmente. Cerca de 80 colaborardes fixos doam R$10,00 por mês. E as promoções feitas frequentemente ajudam completar a verba necessária. “Macarronadas beneficentes, venda de esfirras, até balas e doces vendemos esses dias na praça da Igreja Matriz, para conseguir pagar as contas”, conta a presidente, que relata que os gastos vão desde atendimentos, medicação, ração, produtos de higiene, limpeza e funcionários.

ONGs de proteção animal lutam contra a falta de conscientização fonte: Reprodução

A prefeitura municipal contribui com duas mulheres que cuidam da Opaa durante horário comercial e dias da semana, porém os cuidados com os cachorros vão além. “A gente paga as horas excedentes desses funcionários, porque não tem como deixar nossos animais sozinhos após esse período”, afirma.

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Os 230 cachorrinhos estão abrigados uma parte no canil e o restante na casa da Dona Cida, voluntária da Organização. Ela cuida em tempo integral de 100 deles. De acordo com a presidente, o espaço do canil foi ficando pequeno com o passar do tempo, e a Dona Cida que sempre teve esse cuidado com os animais abandonados divide hoje com a OPAA essa responsabilidade.

“E além disso, eu também cuido de mais 90 na minha casa” conta a presidente. São 52 cachorros e 38 gatos, recolhidos por ela, que os mantém no quintal da sua residência.

O amor é o que move o trabalho dessas pessoas. E ao mesmo tempo a falta dele é o que causa a indignação. A presidente conta que relatos de abandono são muito frequentes. E não é à toa, já que Arapongas tem hoje cerca de 2 mil animais que vivem nas ruas. E até mesmo aqueles que um dia tiveram casa e família, são muitas vezes largados, como se seus donos nunca os tivessem vistos. “Ele cresceu”, “não temos mais espaço”, “tá dando muito trabalho” são algumas das justificativas.

Como a entidade não possuiu mais condições e estrutura para abrigar mais animais, eles têm optado por explicar a atual condição às pessoas, que ao saírem de lá ‘resolvem a situação’, abandonando. “Quantas vezes já presenciei, eles indo embora com os cachorros, mas chegam na primeira esquina e os deixam no meio da rua. É revoltante”, lamenta.

Para ela, uma política social com leis rigorosas seria a solução para atitudes como essa. “A lei do abandono tem que ser cobrada. A gente liga, denuncia, mas nunca acontece nada. As pessoas só vão sentir na hora que mexer no bolso’’.

A presidente pede ainda para que os políticos deem mais atenção a essas questões e abracem a causa da castração. “Somente através desse método é que se pode evitar que os animais se reproduzam, principalmente os de ruas”, conclui. Em parceria com uma clínica veterinária, a Opaa consegue a intervenção por R$250,00, - metade do valor cobrado de forma particular. Para aqueles que tenham um cachorro em casa, o recurso também é aplicado. O interessado deve contatar a Organização que fará o encaminhamento.

A entidade está realizando uma campanha em parceria com a sorveteria Papiros, localizada na Avenida Arapongas. Para ajudar basta comprar o cartão que dá direito a um pote de dois litros e retirar até a dia 20 de setembro. O valor é de R$15,00.

Ainda no mês de setembro, a Opaa fará a já conhecida feirinha de adoção na Praça da Igreja Matriz. Ela acontecerá nos dias 03 e 10 (sábado), das 10 às 15h.

E no mês de outubro, uma ação diferente tem como objetivo ajudar a entidade e as crianças carentes. Aqueles que tiverem algum brinquedo para doar podem entrar em contato com a Opaa através do telefone (43) 9911-5671. A Organização irá fazer um bazar de brinquedo com os produtos arrecadados. O valor cobrado será simbólico

CAMBIRA
A Sociedade protetora dos Animais de Cambira (Soproca), foi criada em 2014, por um grupo de voluntários preocupados com a situação dos animais na cidade. A entidade ainda não tem sede e não possui canil. A ONG é mantida através de promoções que arrecadam fundos para ração, medicamentos e consultas veterinárias.