Cotidiano

Criação do bicho-da-seda é rentável em pequenas áreas, afirmam produtores 

Da Redação ·
Período no qual o bicho-da-seda vive como lagarta é dividido em cinco fases ou idades, durante as quais é sempre alimentado com folhas da amoreira - Foto: Tribuna do Norte
Período no qual o bicho-da-seda vive como lagarta é dividido em cinco fases ou idades, durante as quais é sempre alimentado com folhas da amoreira - Foto: Tribuna do Norte

A sericicultura (criação do bicho da seda) continua em expansão Vale do Ivaí (norte do Paraná), conforme constatação do Departamento de Economia Rural (Deral), da Secretaria da Agricultura e Abastecimento (SEAB). Produtores rurais afirmam que a atividade é rentável em pequenas propriedades. Segundo eles, com meio alqueire de plantio de amora em uma pequena propriedade já é possível conseguir uma renda compensadora com a atividade produtiva. "Isso desde que sejam adotadas as técnicas e planejamento adequados", afirma o economista Paulo Franzini, do Deral.  Arapongas se destaca na atividade na área do escritório da SEAB de Apucarana (nove municípios), com 37 produtores.

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No Vale do Ivaí, o sistema de produção é feito de forma integrada com as indústrias de fiação, que repassam para os produtores as lagartas em fase inicial de desenvolvimento. A atividade abrange o cultivo da amoreira, alimento do do bicho-da-seda, e as atividades referentes à produção e preparo dos casulos.  Na safra 2015/2016, conforme Deral, o Paraná produziu 2.195 toneladas de casulos, 5% mais do que no ano anterior.  O volume responde por 86% da produção nacional.  

Segundo o técnico Rogerio Aparecido Ugucioni, da Fiação de Seda Bratac, o Paraná é o maior polo de sericicultura do Brasil e o terceiro maior do mundo. “É um mercado que se encontra em expansão. Além do uso tradicional, o material vem sendo desenvolvidas novas aplicações para a fibra, abrindo perspectivas para os exportadores”.

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POTENCIAL DE CRESCIMENTO
Na região de Jardim Alegre, na área da SEAB/Ivaiporã, onde a empresa tem um depósito, Ugucioni acredita que tem potencial para crescer pelo menos 50% nos próximos anos. Atualmente a empresa atende 126 produtores nos municípios de Jardim Alegre, Ivaiporã, Ariranha do Ivaí, Lidianópolis, Kaloré, Godoy Moreira e Rio Branco do Ivaí.  

Em Jardim Alegre, o produtor Emerson Donizete Bortholassi conta que a família está na atividade há mais de 20 e se mostra satisfeito. Em dois barracões, a produção garante ganhos de até R$ 7 mil por mês. A área com plantio de amora do sítio é de 1,5 alqueire.  

O período no qual o bicho vive como lagarta é dividido em cinco fases ou idades, durante as quais é sempre alimentado com folhas da amoreira. “Em média o manejo até a formação do casulo é de 27 dias. Praticamente toco sozinho nas primeiras duas semanas. Nas semanas finais, no período em que as lagartas comem mais conto com a colaboração de mais um rapaz que me ajuda a cortar as amoras”, detalha Bortholassi.  

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O produtor explica que o manejo é feito sobre esteiras, que também são conhecidas como camas de criação. “Tem que ser um local limpo, livre de contaminação e com boa circulação de ar. Também é preciso estar atento e controlar a temperatura e a umidade do ar conforme cada idade do bicho-da-seda”, completa Botholassi.  Além da sericultura, Bortolassi, produz café em área de 2,5 alqueires. “Financeiramente o bicho-da-seda é bem melhor que o cafezal”.

DE PAI PARA FILHO
O produtor Otávio Francisco dos Santos, radicado na localidade de Pindauva, em Ivaiporã, relata que está na atividade há 16 anos e não pretende parar. “Meu pai já era um sericicultor, e assim que ele parou eu continuei, eu e a minha esposa; faço isso com amor, tenho lucro e afirmo sem medo de errar: hoje para a pequena propriedade, para o pequeno agricultor, não há uma atividade melhor do que a sericicultura”, avalia. 

HISTÓRIA DA SERICICULTURA NO BRASIL
A sericicultura é a atividade agroindustrial mais antiga do mundo, pois surgiu há mais de 5.000 anos (China), sendo inicialmente a seda uma forma de se homenagear os imperadores.  No Brasil a sericicultura teve grandes avanços a partir de 1935, quando o governo criou a “3º seção de sericicultura” que fomentava a criação de bicho-da-seda através do fornecimento de ovos do bicho-da-seda e assistência técnica aos produtores.

Criação do bicho-da-seda é rentável em pequenas áreas, afirmam produtores  fonte: Reprodução